Chavistas invadem sedes de governo da oposição

Partidários do presidente atrapalham trabalho de novos prefeitos e governadores e intimidam críticos

Juan Forero, Washington Post, CARACAS, O Estadao de S.Paulo

13 de fevereiro de 2009 | 00h00

Em novembro, Antonio Ledezma, notório adversário do governo venezuelano, derrotou o candidato escolhido pelo presidente Hugo Chávez para ocupar o cargo de prefeito de Caracas. Foi uma derrota amarga para Chávez, não apenas porque a prefeitura é importante, mas porque Ledezma foi ultrajado pelo presidente e por seus partidários. No entanto, Ledezma se enganou se pensou que ganhar o cargo significaria controlar a máquina administrativa da cidade. Armados, partidários de Chávez tomaram a prefeitura e três outros edifícios do governo. Escritórios foram revirados e computadores, roubados.Também descobriram que o prefeito anterior, Juan Barreto, havia contratado milhares de chavistas radicais para fazer proselitismo para a chamada revolução bolivariana do presidente. Até a semana passada, o Palácio da Prefeitura estava coberto de pichações. As janelas estavam quebradas e a porta da frente estava trancada com cadeado. Sobre as paredes era possível ler frases como "este é um território chavista" e "somos maus perdedores"."Segundo a terminologia esportiva, nós ganhamos o jogo, mas as autoridades desportivas decidiram que não ganhamos, que perdemos", disse Carlos Melo, diretor dos centros esportivos da cidade, muitos dos quais passaram para o controle federal dias antes da eleição. "Eles ficaram com as instalações, tomaram edifícios e repartições, em uma violação das normas mais elementares do jogo democrático."Falando à televisão estatal na terça-feira, Chávez declarou que Ledezma e outros políticos da oposição eleitos em novembro haviam assumido seus novos cargos acompanhados por multidões violentas. Segundo o presidente, eles demitiram trabalhadores de forma aleatória, como parte de um complô para derrubá-lo.Em um dos edifícios ocupados por partidários de Chávez, Nelsiy Rojas foi uma das funcionárias demitidas. Ela acusou Ledezma de querer pessoas que defendem sua linha contrária ao governo. Mas também admitiu que seu trabalho incluía fazer campanha para os programas do presidente. "Ledezma demitiu 7.200 funcionários da prefeitura simplesmente porque não concorda com nosso trabalho nas comunidades, que consiste em estimular o processo revolucionário, entre outras coisas", disse Nelsiy.Até o momento, os funcionários constataram que dos 40 mil funcionários pagos pela prefeitura, cerca de 8.600 recebem US$ 1.500 mensais para cumprir ordens do governo central, disse Richard Blanco, funcionário que ocupa o segundo cargo mais alto da prefeitura. Segundo Blanco, um número indefinido desses funcionários se exibe em esquadrões de motocicletas para intimidar os inimigos do governo, entre eles estudantes e diretores de tevês privadas que criticam Chávez.INTIMIDAÇÃO NACIONALLedezma não é o único político que enfrenta obstáculos criados pelo governo. Nas eleições de novembro, os candidatos da oposição ganharam em cidades e Estados populosos e economicamente importantes. Nos dias que se seguiram, começaram a pagar o preço de sua vitória.No Estado de Táchira, no oeste do país, a Assembleia controlada pelo governo recusou-se por dois meses a permitir que o governador eleito, César Pérez Vivas, assumisse o cargo. No Estado de Miranda, o novo governador, Henrique Capriles Radonski, não conseguiu impedir que a supervisão dos hospitais fosse transferida para o Estado. Mas ninguém enfrentou tantas dificuldades quanto Ledezma. Entre os problemas do prefeito estão relatos de funcionários afirmando que veículos da prefeitura, papéis administrativos dos últimos quatro anos e arquivos de computador foram roubados.VENCEU E NÃO LEVOUCarlos MeloDiretor dos centros esportivos de Caracas"Nós ganhamos o jogo, mas as autoridades decidiram que não ganhamos, que perdemos. Eles (chavistas) ficaram com as instalações, tomaram edifícios e repartições, em uma violação das normas mais elementares do jogo democrático"

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.