Chavistas investigam aliado de Capriles

Deputado é suspeito de ter aceitado propina de empresário em nome do candidato da oposição, mas diz ter sido vítima de armação do governo

CARACAS, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2012 | 03h02

A Assembleia Nacional da Venezuela, controlada por partidários do presidente Hugo Chávez, vai investigar uma denúncia de corrupção que envolve o deputado oposicionista Juan Carlos Caldera, membro da campanha do candidato da oposição, Henrique Capriles. Caldera é acusado de usar o nome de Capriles para receber 40 mil bolívares (US$ 9,2 mil) de um empresário.

"Trata-se de um crime cometido por uma organização política. Faremos tudo que está ao alcance da Assembleia (para investigar o caso)", disse o presidente do Legislativo, Diosdado Cabello. "Iremos até as últimas consequências. Ele não é qualquer militante, é um nome de peso da oposição. A oposição é cínica."

O deputado admite ter recebido o dinheiro, mas ele seria destinado à sua campanha, e não à de Capriles. O dinheiro teria sido entregue por um enviado do empresário Wilmer Ruperti, próximo a Chávez, mas que, segundo ele, estaria interessado na campanha de Capriles.

O vídeo foi divulgado na TV estatal venezuelana pelo deputado Julio Chávez, do Partido Socialista Unificado da Venezuela (PSUV). As imagens mostram Caldera conversando com um homem não identificado e recebendo dinheiro para a campanha da oposição. No vídeo, o homem diz agir em nome do "chefe" (Ruperti) e pede a Caldera um encontro com Capriles.

Em seguida, o deputado diz: "É preciso entrar em acordo com o pessoal das finanças dele. Com Henrique, se Wilmer (Ruperti) estiver de acordo, é mais fácil encontrá-lo em alguma viagem."

Depois da divulgação do vídeo, Capriles afastou o deputado de sua campanha. "Diante da informação que temos, o deputado Juan Carlos Caldera fica fora do projeto", disse o candidato. "Ele se colocou à margem do projeto que estamos construindo."

Reação. Caldera diz ser inocente da acusação de corrupção. Ontem, ele afirmou ser vítima de uma armação. "Evidentemente, houve toda uma montagem. Quem viu o vídeo se dá conta de que há um jogo de câmeras para preparar uma armadilha", declarou o deputado. "Eles querem prejudicar quem não tem nada a ver com isso: Henrique Capriles."

Caldera era o representante da chapa da Mesa de Unidade Democrática (MUD) perante o Conselho Nacional Eleitoral (CNE). O deputado de 39 anos é candidato à prefeitura de Sucre, um distrito de Caracas que até 2008 era controlado pelo chavismo.

Alguns simpatizantes do candidato oposicionista corroboram a versão do deputado de armação, principalmente pelo fato de Ruperti ser próximo de Chávez. Durante a greve patronal que antecedeu a tentativa de golpe de Estado de 2002, o empresário, que tem negócios no setor naval e petroleiro, ofereceu-se para amenizar o problema de abastecimento de combustível no país. Neste ano, Ruperti comprou num leilão duas pistolas que pertenceram ao herói da independência Simón Bolívar por US$ 1,6 milhão e as doou ao Estado venezuelano.

Analistas avaliam que o escândalo terá um impacto negativo para a campanha de Capriles, cujo combate à corrupção é um dos pontos principais. A menos de um mês da eleição, Chávez lidera a maioria das pesquisas de opinião no país, mesmo as de institutos tidos como mais próximos da oposição. O presidente, que se recupera de um câncer, disputa seu quarto mandato. / REUTERS

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