Chavistas ocupam prefeitura de Caracas

Ataque ocorre a menos de um mês do referendo sobre a reeleição do presidente venezuelano

France Presse, Caracas, O Estadao de S.Paulo

21 de janeiro de 2009 | 00h00

Grupos simpatizantes do presidente venezuelano, Hugo Chávez, estão ocupando desde o sábado a sede da prefeitura de Caracas. Segundo funcionários municipais, o objetivo desses grupos é "sabotar a administração" do prefeito opositor Antonio Ledezma, que venceu as eleições municipais de novembro. Os invasores proclamaram o edifício sede da "resistência popular revolucionária" e pretendem instalar em seu interior algumas das "missões"(projetos sociais) promovidas pelo governo. Ledezma prometeu denunciar a ocupação a organismos internacionais e "fazer da cidade seu grande escritório". A ocupação da prefeitura está sendo promovida pelas facções chavistas Plaza Bolívar, La Piedrita e La Esquina Caliente, que dizem ter 3 mil integrantes. São os mesmos grupos que assumiram a responsabilidade por três ataques com bombas de gás lacrimogêneo na segunda-feira: o primeiro contra a Embaixada do Vaticano em Caracas, o segundo contra a Federação de Estudantes da Universidade Central da Venezuela e o último contra a residência de Marcel Granier, diretor da rede de televisão opositora RCTV. Segundo autoridades municipais, os jovens que invadiram a prefeitura de Caracas fizeram vários disparos e arrombaram portas. Ledezma diz que eles teriam tentado encontrar provas de esquemas de corrupção do governo de seu antecessor, o governista Juan Barreto, com o objetivo de destruí-las. Os ataques ocorrem a menos de um mês do referendo sobre uma emenda constitucional que pode acabar com o limite de dois mandatos consecutivos para o presidente. A proposta foi relançada por Chávez recentemente, mas já havia sido rejeitada em consulta popular em dezembro de 2007. As tensões entre a oposição e o governo na Venezuela estão aumentando desde as eleições regionais de novembro. Os opositores conseguiram conquistar Estados e prefeituras-chave e, desde então, o presidente tem baixado decretos que tiram dos líderes locais o controle sobre uma série de recursos e serviços.

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