Chavistas pedem mais pressão contra golpe

Próximo passo deve ser rejeitar novas eleições na OEA

Efe, AFP e AP, LA PAZ, O Estadao de S.Paulo

17 de julho de 2009 | 00h00

Reunidos em La Paz para celebrar o bicentenário da revolta contra o domínio espanhol que deu origem à Bolívia, diversos líderes latino-americanos respaldaram ontem o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, pediram que o cargo seja imediatamente restituído e acusaram os EUA de estar por trás do golpe. Participaram da cerimônia em La Paz - além do líder boliviano, Evo Morales - os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, do Equador, Rafael Correa e do Paraguai, Fernando Lugo. Também estavam na reunião a chanceler do governo deposto de Honduras, Patricia Rodas, o vice-presidente do Conselho de Ministros de Cuba, Jorge Sierra, e representantes do Chile, da Argentina e da Espanha. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, cancelou seus compromissos em Brasília para ir a La Paz. Em seu discurso, Correa disse que o próximo passo para os países da região é anunciar na Organização dos Estados Americanos (OEA) que não reconhecerão nenhuma eleição convocada pelo governo autoproclamado de Honduras. "Sugerimos uma nova assembleia da OEA para deslegitimar qualquer eleição que possa ser organizada pelo governo de facto, pois a estratégia dos golpistas é ganhar tempo para chegar às eleições de novembro, lavar a cara, trocar de roupa e dizer: aqui não ocorreu nada", afirmou Correa, defendendo que a volta de Zelaya ao poder seja "incondicional". Chávez acusou o Departamento de Estado dos EUA de estar por trás do golpe após alertar para o risco de uma "sangrenta guerra civil" ocorrer em Honduras e se espalhar pela América Central. "Dificilmente alguém pode acreditar que os militares hondurenhos conseguiriam dar um passo sem a luz verde desse Estado", afirmou, em alusão aos EUA. "Os americanos já deveriam ter retirado suas tropas de Honduras se são verdadeiras as palavras do presidente Barack Obama (de condenação ao golpe)", completou, referindo-se à base militar dos EUA instalada em Honduras. Segundo o líder venezuelano, Obama não teria conhecimento da participação de seu país no golpe. "Ele está entre a cruz e a espada", afirmou. "Acho que não lhe informaram sobre isso." Os EUA suspenderam a cooperação militar com Honduras e cortaram a ajuda financeira ao país depois da deposição de Zelaya. EPIDEMIAPatricia, a chanceler hondurenha, disse que é preciso evitar que a "doença do golpe" se reproduza em outras regiões do continente. "Esse processo, que é um vírus perigoso para todos os nossos povos, nasceu em Honduras e morrerá em Honduras", afirmou. "Essa doença não atingirá nenhum outro povo da América."Honduras entrou para a Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) em 2008 e recebia petróleo venezuelano subsidiado até Zelaya ser deposto e o atual presidente de facto, Roberto Micheletti, assumir. A amizade com Chávez e com os líderes bolivarianos foi um dos fatores apontados pelos militares para o golpe. Zelaya queria promover em Honduras uma consulta popular sobre uma reforma constitucional que lhe permitiria eleger-se outra vez - caminho semelhante ao trilhado por Chávez. Depois da queda de Zelaya, Honduras foi suspensa da OEA e vários países e organizações adotaram sanções contra o governo autoproclamado. Representantes do presidente deposto e de Micheletti chegaram a se reunir sob a mediação do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, mas até agora o diálogo não deu resultados. Por isso os líderes bolivarianos exigem mais medidas de pressão contra o governo de facto.

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