Migual Gutiérrez/Efe
Migual Gutiérrez/Efe

Chavistas tentam dar o troco na oposição na maior favela da Venezuela

Petare é um microcosmo da polarização do país e foi cenário de uma sofrida derrota do chavismo, em 2008

Roberto Lameirinhas, enviado especial a Caracas,

02 de outubro de 2012 | 20h14

CARACAS - A vitória em Petare, que abriga a maior favela da Venezuela, a poucos quilômetros de Caracas, é uma questão de honra para o Comando Carabobo, como se denomina a campanha de Hugo Chávez para a eleição. Cenário de uma das mais sofridas derrotas do chavismo - quando o candidato da oposição, Carlos Ocariz, derrotou o governista Jesse Chacón na disputa pela prefeitura, em 2008 -, as ruas movimentadas e poeirentas representam um microcosmo da polarização da disputa presidencial.

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A campanha chavista empenhava-se nesta terça-feira, 2, em distribuir bonés, pôsteres e panfletos com as propostas de Chávez e uma fila formava-se diante da barraquinha. Ao redor dela, muitos moradores acusavam o governo central de ter esquecido a região. "Aqui, não temos segurança, não temos transporte, não temos emprego, não temos assistência nenhuma do governo. Somos pobres, o governo só lembra que existimos em época eleitoral", queixava-se José Carlos, desempregado, parado diante da fila de chavistas.

Na favela, a clínica médica da Missão Bairro Adentro funcionava normalmente - apesar da greve de fome que 30 líderes do sindicato dos trabalhadores da missão faziam na frente da sede do Ministério da Saúde em Caracas -, mas os moradores insistem que o atendimento é insuficiente. Estima-se em mais de 300 mil as pessoas que vivem na favela em Petare. "Meu comandante é o meu coração", afirmava Cibele Ruiz. "Chávez vencerá e trará mais ajuda a Petare. Só ele está preocupado com a gente mais pobre."

Um dos cabos eleitorais chavistas, que se identificou apenas como Pepe, disse que o Comando Carabobo destacou 120 militantes para mobilizar a população na favela. "Temos de ganhar essa batalha", afirmou.

Barracas chavistas também foram instaladas no Boulevar Sabana Grande, uma rua de comércio popular em Caracas. A campanha chavista distribuía o mesmo material que entregava em Petare. Na frente da estação do metrô, caixas de som ecoavam hinos revolucionários de exaltação a Chávez.

Além da proximidade da eleição, a intensificação da distribuição do material tem outro motivo: a grande mobilização de quinta-feira em Caracas, na qual os chavistas esperam reunir 1 milhão de pessoas, no fim de uma marcha de 477 quilômetros iniciada por Chávez na segunda-feira. Militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) foram convidados a participar usando bonés e camisetas vermelhas. "A maré vermelha tomará conta de Caracas outra vez", dizia o comando da campanha por meio de alto-falantes.

 

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