Chavistas usam câncer como arma eleitoral

Partido de Chávez orienta militantes a apresentar 'o triunfo em 16 de dezembro' como 'presente' para líder

LOS TEQUES, MIRANDA, VENEZUELA, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2012 | 02h07

O candidato chavista a governador de Miranda, Elías Jaua, recorreu ao câncer enfrentado pelo presidente Hugo Chávez para motivar os eleitores do Estado a votar no domingo - mesmo que se repita o temporal como o que ensopou seus militantes ontem.

A estratégia de mencionar a doença do líder como incentivo para unir a militância foi repetida por chavistas em outras regiões do país, embora nenhuma tenha hoje a importância de Miranda. Um documento interno do PSUV datado da véspera orientava os militantes a apresentar "um triunfo dia 16 de dezembro como o maior presente para a saúde de Chávez".

Miranda, um dos cinco Estados que compõem a Grande Caracas, é decisivo porque Jaua, ex-vice-presidente, disputa o cargo de governador contra Henrique Capriles, que em outubro perdeu a eleição presidencial para o líder bolivariano.

Uma nova derrota, segundo analistas, dividiria a oposição, animada pela perspectiva de que Chávez não assuma em 10 de janeiro. Isso levaria à convocação de nova disputa presidencial em 30 dias.

Conforme Zulima Pérez Jiménez, integrante do comando de campanha chavista em Miranda, o objetivo do PSUV é "enterrar a liderança" de Capriles. "Nossa vantagem é ter a máquina do partido", disse ontem, antes do comício de Jaua em Miranda. Ontem, parte dos funcionários municipais de Los Teques, cuja prefeitura é chavista, foram dispensados do trabalho.

Embora o Estado seja governado pela oposição, Chávez conquistou na região mais votos na eleição que lhe garantiu mandato até 2019 - votações nacionais costumam ter participação maior do que as regionais. "Esta eleição regional é crucial porque, se Capriles perder, seu tempo de líder da oposição terá acabado. A situação está difícil para ele porque a recaída de Chávez deu um impulso grande para todos os candidatos chavistas", afirma Reyes.

A professora chavista Mine Santana, de 53 anos, é um exemplo de que a doença do presidente pode motivar seus apoiadores a votar. Ela chegou quatro horas antes do comício para ficar grudada à grade que separava os militantes do palco.

"Ele sacrificou sua saúde por nós. Agora que estou aposentada e tenho uma pensão graças a ele, vou a todos os comícios e trabalho pelo partido sem ganhar nada", disse. "Perdemos o governo estadual para Capriles na última vez porque estávamos desunidos".

No meio da multidão, o vendedor Luiz Colina oferecia fotos do comandante por 30 bolívares fortes (cerca de R$ 15) cada e CDs com músicas chavistas por 20 bolívares. A cozinheira aposentada Yolanda Benítez, de 72 anos, levou uma foto do comandante. "Já tenho dez no meu quarto. Ele fez muito por mim, hoje ganho 2,4 mil bolívares de pensão", afirmou, sorridente. Questionada sobre o que faria sem Chávez no poder, fechou a expressão: "Nem quero pensar nisso". / R.C.

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