Checos fogem de parte de Praga em meio a novas tempestades sobre a Europa

Dezenas de milhares de checos fugiram da capital, Praga, para terrenos mais elevados nesta terça-feira à medida que chuvas torrenciais transformavam o Rio Vltava numa enorme e ameaçadora cachoeira e inundavam mais áreas. Em toda a Europa, o número de mortos chega a 88. No centro histórico de Praga, coração da cidade e principal parada turística, o Vltava causava as piores enchentes dos últimos cem anos na República Checa. Autoridades locais informaram que pelo menos nove pessoas morreram após mais de uma semana de chuvas torrenciais. A água isolou a ilha de Kampa, em Praga, inundando jóias arquitetônicas que datam do Império Habsburgo. Voluntários reuniram-se em torno dos locais históricos e encheram centenas de sacos de areia, numa tentativa desesperada de salvar os tesouros da capital checa da devastadora enchente. Pelo menos 40.000 moradores das áreas mais baixas de Praga - cidade de aproximadamente 1 milhão de habitantes ? receberam hoje ordem para deixar suas casas. Ao todo, 200.000 pessoas ficaram desabrigadas em todo o país, disse o ministro de Interior da República Checa, Stanislav Gross. No Jardim Zoológico, situado na periferia da cidade e que abriga cerca de 400 animais, dois rinocerontes foram retirados por guindastes e quatro gorilas foram sedados. Um quinto gorila estava desaparecido, mas suspeita-se que ele esteja escondido. Funcionários do zoológico precisaram matar um elefante indiano chamado Kadir quando ele corria o risco de morrer afogado, disse uma fonte. Os funcionários também tiveram de matar um hipopótamo que fugiu de seu curral e tornou-se agressivo. O presidente Vaclav Havel interrompeu suas férias em Portugal e retornou à capital checa. O primeiro-ministro Vladimir Spidla comandava pessoalmente equipes de resgate que retiram os moradores das áreas ribeirinhas. Muitos deles, extremamente irritados, recusavam-se a abandonar suas propriedades mesmo diante do iminente risco de morte. Para o prefeito de Praga, Igor Nemec, o pior "ainda está para acontecer". Ele teme que o nível do rio possa crescer mais nas próximas horas. Isto levou as autoridades checas a estudarem a sangria de barragens no sul do país (região também duramente castigada pelo temporal e onde pelo menos oito pessoas morreram). Nemec exortou a população a ajudar as equipes de socorro a colocar sacos de areia em torno das áreas históricas para conter as águas. O Intercontinental Hotel, de 340 quartos, e o Four Seasons Hotel ficaram sem nenhum hóspede, por motivos de segurança, no pico da temporada turística de verão no país. Mas na noite de hoje a ameaça ao centro histórico da capital checa parecia menor que antes. Na vizinha Áustria, pelo menos sete pessoas morreram. Bombeiros e voluntários da Cruz Vermelha montavam barricadas com sacos de areia para evitar a expansão do já transbordado Rio Danúbio. O Porto de Viena e as áreas mais baixas da cidade ficaram inundadas. A enchente desabrigou pelo menos 60.000 pessoas na Áustria. Na província de Salzburgo, mais de mil construções estavam embaixo d´água. Apesar da gravidade dos problemas na República Checa e na Áustria, a Rússia arcou com o maior número de baixas nas chuvas que castigam impiedosamente a Europa. Pelo menos 58 pessoas morreram em território russo somente na semana passada. A maior parte das vítimas era formada por turistas russos que passavam férias de verão no Mar Negro e ficaram cercados pela água que arrastou carros e barracas. Na Alemanha, onde bombeiros e soldados trabalham desesperadamente para reduzir os efeitos das enchentes, um homem de 71 anos morreu afogado ontem em Dresden. Hoje, uma cascata de lama e água arrastou dois homens e uma criança, informaram autoridades locais. Na Romênia, chuvas e ventos fortes causaram pelo menos sete mortes nos últimos dias. No leste do país, um pequeno tornado atingiu uma casa ontem, causando a morte de uma mulher de 24 anos e de seu filho de um ano e cinco meses.

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