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Chefe antidrogas critica política de presidente filipino Rodrigo Duterte

Para coronel Romeo Caramat, abordagem ultraviolenta para conter drogas ilícitas não foi efetiva

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2020 | 08h00

MANILA - O coronel Romeo Caramat supervisionou o dia mais sangrento na luta contra as drogas nas Filipinas – 32 mortos em 24 horas na Província de Bulacan, ao norte de Manila, onde ele era chefe de polícia, em 2017.

Agora que lidera o departamento antidrogas da Polícia Nacional Filipina, Caramat disse que a abordagem ultraviolenta para conter as drogas ilícitas não foi efetiva. “Choque e pavor definitivamente não funcionaram”, ele disse em entrevista à agência Reuters, falando pela primeira vez sobre a questão. “O fornecimento de drogas ainda é desenfreado.”

Caramat disse que a criminalidade diminuiu por causa da guerra às drogas, mas os usuários ainda podem comprar drogas “em qualquer lugar a qualquer hora” nas Filipinas.

Ele é a favor de uma nova estratégia. Em vez de prender imediatamente ou matar os entregadores de drogas, ele quer colocá-los sob vigilância na esperança de que levem a polícia ao “chefão das drogas”. 

Três anos e meio após o presidente Rodrigo Duterte lançar uma guerra às drogas nas Filipinas com o objetivo de matar os usuários e os traficantes, sua política fracassou nos objetivos-chave, disseram oficiais, profissionais da área de saúde e funcionários do governo.

O porta-voz de Duterte, Salvador Panelo, não respondeu ao pedido para comentar as declarações de Caramat. Mas em um comunicado divulgado há um mês, respondendo a uma pergunta da Reuters sobre a campanha antidrogas, Panelo disse: “Estamos vencendo a guerra às drogas”.

No entanto, Duterte disse repetidamente em recentes discursos e entrevistas que sua campanha não atingiu o objetivo por causa da corrupção endêmica e a ausência da pena de morte para deter a criminalidade.

Os críticos dizem que o problema com a luta às drogas é mais profundo, destacando o fracasso em conter os traficantes de alto nível, cortar o fornecimento de drogas e investir em reabilitação.

“As duras medidas, marcadas pelos assassinatos extrajudiciais e as detenções, não estão reduzindo a demanda”, disse Jeremy Douglas, representante no Sudeste Asiático e Pacífico do Escritório das Nações Unidas contra as Drogas e o Crime, em Bangcoc. “O foco deve ser a prevenção e a saúde pública, juntamente com políticas inteligentes.”

Após a notícia de que 32 pessoas tinham sido mortas em um dia em Bulacan, a mídia reportou Duterte dizendo: “Vamos matar outras 32 por dia. Talvez possamos reduzir essa doença no país”. Segundo o governo, 5.532 pessoas foram mortas nas operações antidrogas desde meados de 2016. / REUTERS

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