Chefe da agência nuclear da ONU é contra sanções ao Irã

O chefe da agência nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou hoje que está preocupado que as sanções da ONU ao Irã possam aumentar o esfriamento das relações entre os Estados Unidos e seus aliados europeus. Falando em Paris, Mohamed El Baradei fez um apelo pela retomada das negociações com o Irã, acusado pelos EUA e outros países de tentar desenvolver armas nucleares. Ele sugeriu que pressionar o Irã pode levar esta república islâmica a seguir o caminho da Coréia do Norte, que expulsou os inspetores da ONU e abandonou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, em 2003, e depois conduziu seu primeiro teste nuclear no final de outubro. "Minha prioridade é manter o Irã dentro do sistema", disse o vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2005. "Estou preocupado com o fato de que ambas as partes estão radicalizando", disse. A comunidade internacional "está dizendo ´sanções ou guerra´. O Irã está afirmando ´capacidade de enriquecimento nuclear ou guerra´ e precisamos de alguém para quem nos dirigir e poder encontrar uma solução". A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, disse nesta semana na Europa que este não é o momento de os Estados Unidos conversarem com o Irã e que o Irã parece não estar pronto para aceitar uma oferta americana para se juntar às conversações européias sobre seu programa nuclear. A França afirma que está preparando o envio de um emissário para Teerã, a fim de manter conversações que se concentrariam na paz no Oriente Médio e no Líbano e em outras questões regionais, ao invés de enfocar as ambições nucleares iranianas. Mas funcionários do palácio presidencial e do Ministério do Exterior francês insistem que ainda não foi tomada uma decisão e que o Irã precisa primeiro demonstrar vontade de negociar. ElBaradei, que deve se encontrar ainda nesta quinta-feira com o ministro do Exterior da França, declarou: "Qualquer esforço empreendido por qualquer pessoa para trazer os iranianos e os europeus - e particularmente os americanos - para a mesa de negociações seria algo muito bem-vindo". "Não concordo com a idéia de que o diálogo seja um prêmio pelo bom comportamento", afirmou. "Você precisa se comprometer. Você precisa ver de onde eles vêm, suas preocupações, sua paranóia, suas obsessões e então tentar mudar corações e mentes." "Não penso que as sanções vão resolver esta questão ... do meu ponto de vista, as sanções podem levar a uma escalada de ambas as partes." O Conselho de Segurança impôs sanções limitadas para punir o Irã pelo fato de o país ter desafiado uma resolução exigindo que Teerã suspendesse o enriquecimento de urânio, um processo que pode produzir material físsil para abastecer reatores nucleares ou, em concentrações mais puras, o núcleo das armas nucleares. O Irã insiste que quer apenas energia, enquanto as potências ocidentais suspeitam de que o país esteja buscando ter armas nucleares.Israel teme IrãA comunidade internacional precisa confrontar o Irã por causa da ameaça que o país representa para todo o Oriente Médio em virtude de "uma combinação horrível" de idéias islâmicas extremistas e de seu programa nuclear, afirmou nesta quinta-feira a ministra do Exterior de Israel. Em Tóquio, a ministra do Exterior Tzipi Livni disse que a promoção de uma ideologia extremista, por parte do Irã, pode ter um efeito dominó que ameaça os moderados e outros regimes em todo o Oriente Médio."O objetivo do Irã não é apenas varrer Israel do mapa, mas mudar toda a região", disse ela. "É óbvio que, mesmo se pudermos resolver o conflito israelense-palestino, o Irã não vai mudar a sua ideologia." A comunidade internacional precisar mostrar claramente que este tipo de extremismo - tal como expresso no discurso do presidente Mahmoud Ahmadinejad, quando ele fala em varrer Israel do mapa e coloca em dúvida o Holocausto nazista - é "inaceitável", afirmou Livni. Esta ideologia, acrescentou, quando conjugada à perspectiva de Teerã desenvolver a tecnologia para produzir a bomba nuclear, resultou numa "combinação horrível".O Irã continuou a desenvolver seu programa nuclear, apesar das exigências da ONU de que Teerã suspenda o enriquecimento de urânio. Como resultado disso, o organismo mundial impôs a proibição de vender materiais e tecnologia que poderiam ser usados nos programas nucleares e de mísseis do Irã, e no congelamento dos bens de dez companhias e cidadãos iranianos.

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