Chefe da assembleia da ONU pressiona Itamaraty

No Brasil, presidente da Assembleia-Geral pede apoio contra massacre na Síria; País não mudará de posição, reage Patriota

Lisandra Paraguassu, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2011 | 00h00

BRASÍLIA

O presidente da Assembleia-Geral da ONU, Joseph Deiss, pressionou ontem o governo brasileiro a apoiar a resolução do Conselho de Segurança contra a Síria. Em resposta, o chanceler Antônio Patriota disse que a posição do Brasil está decidida e não haverá apoio a uma proposta dura que não tenha consenso entre os membros do órgão.

Deiss afirmou que a ONU não poderia deixar de se manifestar ante a violência patrocinada pelo presidente sírio, Bashar Assad. Patriota defendeu a alternativa apresentada pelo Brasil, para que seja feita uma declaração do Conselho condenando os ataques aos manifestantes e exigindo mudanças.

A declaração aprovada no Conselho de Segurança seria um tom abaixo de uma resolução. Ao país envolvido, soa como uma advertência. No entanto, não pode ser votada ou vetada e precisa ser adotada por consenso. Até agora, a proposta brasileira não é consenso nem mesmo tem um texto, mas o Itamaraty espera debater e avançar no tema nos próximos dias.

Para a diplomacia brasileira, uma resolução da ONU condenando Assad - mesmo que sem sanções, como foi patrocinada pelos países europeus - pode acuar o presidente sírio e piorar a situação.

Patriota tem conversado sobre a possibilidade de uma declaração no Conselho com os chanceleres de países integrantes do órgão - 15 no total, incluindo os 5 permanentes com direito a veto (EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China). O apoio à proposta teria avançado.

A Rússia já declarou que vetaria a resolução, mas que pode apoiar a declaração. Entre os países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) essa é a posição mais próxima de um consenso. A Grã-Bretanha também declarou que acha possível conversar sobre o tema.

Já a resolução, apoiada especialmente pelos europeus, teria, de acordo com o governo francês, 9 dos 15 votos. No entanto, se Rússia e China vetarem a proposta, como ameaçam fazer, ela não seria aprovada.

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