Chefe da Força Aérea chilena renuncia

O general Patricio Ríos apresentouhoje sua renúncia ao cargo de chefe da Força Aérea chilena,devido a um escândalo provocado pelo encobrimento de informaçãosobre presos desaparecidos. A renúncia de Ríos, a primeira de um alto chefe militar numpaís em que, por mandato constitucional, os comandantes dasForças Armadas não podem ser destituídos, foi comunicada pelopresidente do Chile, Ricardo Lagos, e pela ministra da Defesa,Michelle Bachelet, em Viña del Mar, cidade localizada a 120quilômetros no oeste de Santiago.Após reunião de meia hora com Ríos, Lagos disse à imprensaque o chefe militar o deixava livre para formar um novo altocomando da Força Aérea. Lagos agradeceu o gesto e anunciou que em breve designará osucessor de Ríos.O general Ríos, cujo período regulamentar terminava 30 dejulho de 2003, pedia para não ser processado por obstrução àJustiça e não ser acusado constitucionalmente. "Não quero terque andar pelos tribunais", comentou com seus colegas.Um grupo de deputados anunciou na sexta-feira sua intenção deabrir um julgamento político contra Ríos, "por ter comprometidoa honra da nação", e hoje um deles, o social-democrata AntonioLeal, afirmou que a intenção está mantida apesar da renúncia dooficial.Ríos ficou em uma situação difícil depois que foi descobertoque a Força Aérea manipulou e ocultou informação sobre presosdesaparecidos, que deveria ter sido fornecida em função da Mesade Diálogo sobre direitos humanos, no ano passado.A situação do oficial piorou na sexta-feira quando um juizespecial acolheu uma ação apresentada contra ele peloAgrupamento de Familiares de Presos Desaparecidos por obstruçãoà Justiça.

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