Chefe da inteligência do Paquistão pede que EUA parem ataques

De acordo com jornal local, diretor da inteligência paquistanesa disse que o país irá responder aos ataques caso eles não parem

KAMRAN HAIDER E REBECCA CONWAY, REUTERS

22 de maio de 2011 | 11h42

O chefe da inteligência do Paquistão pediu aos Estados Unidos para interromperem os ataques com aviões não tripulados ao país, informou um jornal no domingo, tocando em um assunto que se tornou mais complicado desde que a morte de Osama bin Laden estremeceu as relações entre os dois países.

O jornal local Express Tribune disse que o Ahmad Shuja Pasha, diretor do ISI (Serviço Interno de Inteligência) fez o pedido durante uma reunião com o Michael Morell, vice-diretor da CIA, no sábado.

"Seremos forçados a responder, se você não pensar em uma estratégia que impeça os ataques aéreos", teria dito Pasha a Morell, segundo informações do jornal publicadas em seu site.

O Paquistão está sofrendo intensa pressão dos EUA para explicar como bin Laden viveu em uma cidade não muito longe da capital, de acordo com alguns relatos, por mais de cinco anos, sem ser descoberto.

Islamabad condenou a morte de bin Laden como uma violação da sua soberania. O caso bin Laden estremeceu seriamente as relações entre os aliados, Washington e Islamabad.

O governo do Paquistão diz publicamente que os ataques de com aviões não tripulados (drones) são contraproducentes e geram sentimentos que aumentam a militância. Mas os analistas dizem que os EUA não seriam capazes de matar alvos importantes, sem a ajuda da inteligência paquistanesa.

PEDIDOS DE MAIS DRONES

O principal líder militar do Paquistão não só aceitou tacitamente a polêmica campanha dos drones contra os militantes, mas em 2008 ele pediu a Washington que fizesse uma "cobertura contínua de Predators (avião de vigilância não tripulado)" em áreas tribais, de acordo com mensagens do Departamento de Estado dos EUA, divulgadas recentemente.

De acordo com uma nova leva de mensagens divulgadas pelo site WikiLeaks, o chefe do exército do Paquistão, general Ashfaq Kayani, pediu ao almirante William J. Fallon, então comandante do Comando Central dos EUA, que aumentasse a vigilância e fizesse uma cobertura constante com Predators sobre o Waziristão do Norte e do Sul, redutos de militantes Talibãs. O exército paquistanês negou o conteúdo das mensagens.

Várias autoridades paquistanesas contatadas pela Reuters disseram que não tinham qualquer informação sobre a reunião relatada pelo jornal Express Tribune.

"Nossa posição em relação aos ataques com drones é muito clara: eles prejudicam muito mais do que ajudam", disse o porta-voz militar, general Athar Abbas. "Está também bem claro para a CIA e a ISI, a CIA deveria estar compartilhando com a ISI quantos agentes estão em ação no Paquistão, onde eles estão trabalhando e o que eles estão fazendo, esse tipo de informação."

Morell também se reuniu com líderes operacionais da ISI e com membros da divisão de combate ao terrorismo.

"De acordo com relatos, os dois lados teriam discutido uma forma de seguir em frente, que envolve a paralisação dos ataques de drones dos EUA e a expansão das operações conjuntas EUA-Paquistão, contra os militantes", disse o jornal.

Morell perguntou se houve progresso na investigação para determinar quem poderia estar envolvido no apoio e proteção a bin Laden, na cidade de Abbottabad, disse o Express Tribune. O Paquistão disse que não havia nenhum conluio com bin Laden.

Qualquer revelação de que as autoridades paquistanesas sabiam do seu paradeiro, abalaria seriamente a relação entre os EUA e o Paquistão, que depende fortemente dos bilhões de dólares de ajuda norte-americana.

Entretanto, funcionários da ISI exigem acesso às informações que os comandos dos EUA obtiveram na casa de bin Laden.

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