Ashraf Shazly / AFP
Ashraf Shazly / AFP

Chefe da Inteligência do Sudão renuncia; manifestantes mantém pressão

Salah Abdallah Mohamed Saleh foi responsabilizado por manifestantes pela morte de diversas pessoas que protestavam pelo fim do poderio militar

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2019 | 16h52

CARTUM - O chefe de Segurança e Inteligência do Sudão, Salah Abdallah Mohamed Saleh, renunciou ao cargo neste sábado, 13,  segundo a imprensa estatal. A saída ocorre um dia depois de o ministro da Defesa, Awad Ibn Auf, deixar o posto de líder interino após a deposição do presidente Omar al-Bashir, enquanto manifestantes seguem exigindo mudanças. 

Conhecido como Salah Gosh, o ex-chefe que comandava o Serviço Nacional de Segurança e Inteligência era uma das pessoas mais influentes do país depois de Bashir, e foi responsabilizado por manifestantes pela morte de diversas pessoas que protestavam pelo fim do poderio militar.

O ministro da Defesa renunciou como chefe do Conselho Militar de transição no fim da última sexta-feira, 12, após apenas um dia na função, por pressão dos manifestantes que exigiram mudanças políticas mais rápidas no país. Novo comandante do Conselho Militar, Tenente-General Abdel Fattah al-Burhan Abdelrahman prometeu neste sábado "eliminar" o regime na "raiz".

No discurso, exibido pela televisão estatal, ele afirmou que o período de transição durará no máximo dois anos. Também aproveitou para anunciar o cancelamento do toque de recolher noturno colocado em prática por seu antecessor, além da libertação de todos os prisioneiros encarcerados sob o jugo de leis emergenciais baixadas pelo presidente deposto Omar al-Bashir.

Burhan era o terceiro general mais sênior nas Forças Armadas sudanesas e é pouco conhecido pela vida pública. Como chefe das forças terrestres do Sudão, supervisionou tropas sudanesas que lutaram na guerra do Iêmen, liderada por sauditas, e tem relacionamento próximo a autoridades militares sêniores do Golfo.

Comemorações tomaram as ruas de Cartum durante a madrugada após a renúncia de Ibn Auf. Milhares de manifestantes tinham bandeiras e celulares acessos na escuridão, enquanto motoristas de carros tocavam suas buzinas. As pessoas cantavam: “o segundo caiu!”, uma referência a Ibn Auf e Bashir, afirmaram testemunhas. /AFP e Reuters 

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