Chefe da Junta de Mianmar demora em receber enviado da ONU

Ibrahim Gambari leva mensagem para acordo de reconciliação nacional; general diz que está 'sem tempo'

Efe e Associated Press,

05 de novembro de 2007 | 12h13

O enviado especial da ONU para Mianmar (antiga Birmânia), Ibrahim Gambari, que chegou ao país no sábado, ainda espera para saber quando conversará com o chefe da Junta Militar, o general Than Shwe.   Nesta segunda-feira, 5, Gambari se reuniu em Naypyidaw, nova capital do país, com representantes de grupos étnicos cuja colaboração é necessária para obter a reconciliação nacional promovida pela ONU em Mianmar como passo imprescindível para estabelecer a democracia.   Ele também conversou com representantes da Cruz Vermelha no país. O organismo pediu ao regime militar para ter acesso às pessoas que foram detidas desde a madrugada do dia 26 de setembro, quando teve início a brutal repressão contra as manifestações que desafiavam a ditadura.   As autoridades admitiram que dez pessoas morreram, entre elas um fotógrafo japonês, e que, das cerca de 3 mil presas, a maioria foi colocada em liberdade. Já a oposição birmanesa afirma que soldados e policiais do país teriam matado cerca de 200 pessoas e detido mais de 6 mil.   Apesar de o enviado especial da ONU levar uma "mensagem específica" do secretário-geral da organização, o sul-coreano Ban Ki-moon, para o general Than Shwe, o destinatário ainda não deu sinais de ter tempo livre para recebê-lo.   No domingo, o nigeriano Gambari se reuniu com os ministros do Exterior, Nyan Win, e do Trabalho, Aung Kyi, na nova capital administrativa do país, em um bunker construído por engenheiros norte-coreanos para a Junta Militar.   Em outubro, Aung Kyi foi nomeado como "elo" entre a Junta e a chefe da oposição democrática, a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, sob prisão domiciliar desde 2003.   A ONU disse em comunicado que no domingo foram dados os "passos iniciais voltados para o início, em breve, do diálogo para obter a rápida reconciliação nacional, o restabelecimento da democracia e o pleno respeito aos direitos humanos".   Fontes da Liga Nacional pela Democracia (LND), o partido de Suu Kyi e o único da oposição que resiste à repressão militar, disseram que ela se reunirá com Gambari amanhã na casa do Governo em Yangun, cerca de 400 quilômetros ao sul de Naypyidaw.   A visita do enviado especial da ONU deve terminar no dia 8 de novembro, mas fontes diplomáticas não descartam que estenda sua estadia se for necessário para cumprir sua missão de obter "resultados concretos", de acordo com as ordens de Ban.   Gambari esteve em Mianmar de 29 de setembro a 2 de outubro e se reuniu duas vezes com Suu Kyi. Só no último dia ele conseguiu falar com Than Shwe.

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