Chefe da Junta Militar comanda repressão contra protestos

Than Shwe assume porque comandante encarregado da tarefa se recusou a recorrer à violência

Efe,

28 de setembro de 2007 | 04h38

O chefe da Junta Militar de Mianmá, o general Than Shwe, assumiu a frente da repressão das mobilizações democráticas. Segundo a televisão estatal birmanesa, o governo reconhece a morte de dez pessoas, entre elas vários monges, um fotógrafo japonês e outro estrangeiro, de aspecto caucasiano, segundo testemunhas. A agência Efe diz que pelo menos 15 pessoas já morreram nas manifestações.   Veja também: Jornalista japonês é morto por policiais Entenda a crise e o protesto dos monges   Feridos temem ser detidos em hospitais de Mianmá, diz ONG Austrália adota sanções financeiras  Mulher e filha de chefe militar deixam Mianmá Hill defende conversa entre China e EUA Dissidentes cibernéticos driblam censura  População apóia protesto dos monges     O embaixador australiano em Mianmá, Bob Davis, afirmou nesta sexta-feira, 28, que o número de vítimas da repressão aos protestos contra a Junta Militar é "significativamente maior" que o admitido pelas autoridades.   Segundo fontes do regime citadas por emissoras de rádio birmanesas da dissidência, Than Shwe, um especialista na guerra psicológica, decidiu chefiar pessoalmente a operação de repressão porque o comandante encarregado da tarefa se recusou a recorrer à violência.   Além disso, a Junta Militar criou novos regimentos com a missão de subjugar os manifestantes. Os protestos reuniram mais de 300 mil pessoas em todo o país na segunda-feira e 150 mil só em Rangun, a maior cidade, na terça-feira.   O governo decretou o toque de recolher e proibiu as reuniões públicas de mais de cinco pessoas. Mesmo assim, os manifestantes, liderados pelos monges budistas, voltaram a sair às ruas e foram atacados pelas forças de segurança.   O regime militar só reconhece até o momento 10 mortes em Rangun, uma na quarta-feira e nove na quinta-feira. Uma das vítimas é um repórter japonês.   Soldados e policiais vigiam nesta sexta-feira os mosteiros, pagodes e principais pontos de Rangun para dissuadir os manifestantes com seu número e presença armada.   Ao meio-dia, não havia manifestantes nas ruas de Rangun nem nos pagodes de Shwedagon e Sule, locais de início e conclusão das passeatas dos últimos dias.   Segundo a revista The Irrawaddy, o chefe do Exército birmanês, o general Maung Aye, pode estar preparando uma reunião com a líder do movimento democrático birmanês e chefe da Liga Nacional para a Democracia (LND), Aung San Suu Kyi, para reduzir a tensão.   Na quinta-feira, o enviado especial do secretário-geral da ONU para Mianmar, Ismail Gambari, chegou ao país para falar com a Junta Militar e Suu Kyi.

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