Chefe da Máfia é encontrado morto na prisão

Lo Presti, detido na terça-feira, disputava liderança da Cosa Nostra; polícia fala em suicídio

THE GUARDIAN E AP, O Estadao de S.Paulo

18 de dezembro de 2008 | 00h00

Gaetano Lo Presti, considerado um dos principais chefes da Máfia siciliana, foi encontrado enforcado em sua cela ontem, informou a polícia de Palermo. Lo Presti, 52 anos, havia sido preso na terça-feira em uma grande operação policial contra a máfia na Sicília e Toscana, que resultou na prisão de 89 suspeitos. Segundo as investigações policiais, Lo Presti comandava a atividade mafiosa no distrito de Porta Nuova e era um dos dois candidatos que disputavam a liderança geral da Cosa Nostra. Benedetto Capizzi, 64 anos, líder em Villagrazia, outro distrito de Palermo, também tentava assumir a chefia do grupo criminoso. A apuração policial aponta que a Máfia da Sicília estava há 15 anos sem um líder único e atualmente tentava se reestruturar. A polícia não deu detalhes sobre as circunstâncias da morte mafioso, mas garantiu que se tratou de suicídio. O corpo de Lo Presti deverá passar por uma autópsia. Antes de ser detido na terça-feira, Lo Presti já havia cumprido pena de 27 anos por crime de associação mafiosa. Lo Presti foi novamente detido com base em informações de escutas telefônicas. De acordo com a TV estatal da Itália, as gravações revelam que Lo Presti estaria planejando matar aliados de seu rival para evitar que Capizzi se tornasse o novo chefe da Cosa Nostra. As conversas grampeadas também comprometeriam outros mafiosos.SUCESSÃOSalvatore "Totò" Riina foi o grande chefe da Máfia siciliana até ser preso em 1993. As investigações atuais mostram que os principais líderes da Cosa Nostra ainda o procuravam para pedir conselhos e decidir impasses. Durante muito tempo os investigadores acreditaram que Bernardo Provenzano, preso há dois anos, teria substituído Totò na chefia da Máfia. "Mas Provenzano nunca foi o líder; era um mensageiro de confiança de Riina", disse Francesco Messino, chefe da Promotoria de Palermo, que ordenou as escutas e as prisões de terça-feira.

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