Chefe da OEA chega a Honduras e deve se reunir com mediadores

Insulza deve entregar ao cardeal Rodríguez Maradiaga notificação de ultimato para o governo de facto

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON e Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

03 de julho de 2009 | 00h00

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, chega hoje a Honduras para negociar com o governo de facto em Tegucigalpa. Insulza vai entregar ao cardeal Oscar Andres Rodriguez Maradiaga a carta com a resolução da OEA, determinando que o presidente deposto, Manuel Zelaya, seja restituído até amanhã. Caso contrário, o país será suspenso da organização já na segunda-feira e pode ter a ajuda financeira dos EUA cortada.     Veja também: Pontos a negociar Micheletti dá primeiro sinal de que pode negociar Dependente dos EUA, país teme bloqueio Reação a golpe indica nova visão dos EUA O império das intervenções Crise trouxe só prejuízos, queixam-se hondurenhos Líder interino se diz disposto a adiantar eleições em Honduras Entenda a origem da crise política em Honduras  Podcast: De Honduras, Gustavo Chacra comenta expectativas para volta de Zelaya  Podcast: Representante da OEA analisa atual situação em Honduras  Podcast: Professor da Unesp analisa Golpe de Estado em Honduras  Podcast: Especialista teme que países sigam o exemplo Perfil: Eleito pela direita, Zelaya fez governo à esquerda  Ficha técnica: Honduras, um país pobre e dependente dos EUA   O cardeal Maradinga está atuando como principal mediador entre as duas partes e disse temer uma onda de violência entre partidários de Zelaya e o governo de facto. Insulza deverá também se encontrar com outras autoridades hondurenhas. Anteontem, durante o voo de retorno da Líbia ao Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que um avião Legacy da Força Aérea Brasileira (FAB) fosse colocado à disposição do secretário-geral da OEA para levá-lo a Honduras. O arranjo se deu a partir de um pedido do próprio Insulza ao embaixador do Brasil na organização, Ruy Casaes. O avião deixou o Brasil ontem à tarde.Fontes do Itamaraty sublinham que, mais do que o simples empréstimo de uma aeronave, a iniciativa marca a posição do Brasil em relação ao golpe de domingo, em reação à tentativa de Zelaya de abrir espaço para uma mudança na Constituição hondurenha. "O governo de facto de Honduras recebeu um repúdio universal", afirmou o assessor da presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia - ao deixar clara a posição brasileira favorável à recondução imediata de Zelaya ao poder.ULTIMATOUm alto funcionário da Casa Branca afirmou que seria "razoável" esperar que Insulza negocie algumas condições relacionadas ao pedido de consulta popular, no episódio que desencadeou o golpe.Mas fontes diplomáticas brasileiras afirmam que a OEA buscará apenas fazer valer sua Carta Democrática, e não deve interferir em questões de ordem interna. No Panamá, o presidente, o presidente deposto Zelaya afirmou que Insulza "não vai negociar" com o governo provisório, mas sim "apresentar o ultimato" da organização."Por ordem da OEA, Insulza vai informar que o tempo deles acabou", disse. O presidente hondurenho interino, Roberto Micheletti, tinha afirmado que seu país "não negociará nada". Micheletti também vinha fazendo constantes ameaças, segundo as quais Zelaya seria detido, caso cumpra a promessa de desembacar amanhã em Tegucigalpa. Além de Insulza, a presidente argentina, Cristina Kirchner, e o equatoriano, Rafael Correa, dispõem-se a acompanhar Zelaya em seu retorno.

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