Henning Schacht/EFE/EPA
Henning Schacht/EFE/EPA

Chefe da ONU Mulher defende mais mulheres no poder; saiba quantas ocupam cargos hoje

Phumzile Mlambo-Ngcuka acredita que equilíbrio de gênero em gabinetes será fundamental no mundo pós-pandemia

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2021 | 06h00

Aumentar o número de mulheres líderes e ministras do governo ajudará a construir um mundo pós-pandemia mais forte, disse a chefe da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka. Mas dados mostram que as mulheres podem esperar 130 anos para ver a igualdade no poder.

Mlambo-Ngcuka, que fez história como a primeira vice-presidente da África do Sul em 2005, disse que gabinetes com equilíbrio de gênero tomam melhores decisões não apenas para as mulheres, mas para a sociedade como um todo. Porém, o progresso global neste tema é frustrantemente lento, disse ela à Thomson Reuters Foundation.

A chefe da ONU Mulher acredita que a nomeação de Kamala Harris como a primeira vice-presidente mulher dos Estados Unidos fará com que outros países se inspirem e incentivará mais mulheres a considerarem se candidatar a um cargo. “Ajuda se um grande país quebrar o molde. Isso empurra outros países adiante”, disse.

Mlambo-Ngcuka afirmou ainda que Kamala, de ascendência indiana e jamaicana, é um modelo particularmente importante para as jovens negras. “Elas agora têm alguém que se parece com elas, com quem podem se identificar”, disse, acrescentando que testemunhou como sua própria nomeação em 2005 encorajou as ambições de uma geração mais jovem. “Foi uma sensação muito gratificante ouvir mulheres jovens dizendo ‘uau, eu também posso fazer isso’.”

Governos com equilíbrio de gênero tomam melhores decisões porque representam melhora s pessoas a quem servem, e as mulheres trazem novas perspectivas, explicou Mlambo-Ngcuka. “Você reduz a probabilidade de não entender as necessidades de algumas pessoas só porque nunca esteve no lugar delas.”

Ela disse que as líderes mulheres – de Jacinda Ardern, da Nova Zelândia, à Angela Merkel, da Alemanha – receberam elogios pelas formas como lidaram com a crise da covid-19. “As mulheres tendiam a não se concentrar na política, mas apenas em encontrar soluções, para que trabalhassem com todos.”

Colocar mais mulheres no governo local também faz diferença, disse Mlambo-Ngcuka. Na Índia, por exemplo, conselhos liderados por mulheres têm pressionado por um melhor acesso à água potável – fundamental para prevenir a propagação do vírus.

A chefe da ONU Mulher afirmou ser crucial que as mulheres desempenhem um papel de liderança na construção de economias pós-covid-19 mais inclusivas, especialmente porque muitas delas foram empurradas para a pobreza. “Se as mulheres não se recuperarem da pobreza em que foram colocadas por causa da covid, muitas famílias e comunidades ficarão em uma situação muito difícil por muito tempo. E isso vai ser um problema para todos.”

Fatos sobre mulheres em posições de liderança

  • Existem 22 países com mulheres chefes de estado ou governo eleitas. Adições recentes à lista incluem o Peru, Lituânia e Moldávia*;
  • Em 25 de janeiro, a Estônia tornou-se o único país com uma presidente e uma primeira-ministra mulheres.
  • Um total de 119 países nunca tiveram uma líder mulher;
  • No atual ritmo de progresso, a paridade de gênero nas posições mais altas de poder não será alcançada por 130 anos;
  • A paridade não será alcançada nos órgãos legislativos nacionais antes de 2063 e em cargos ministeriais antes de 2077;
  • Em todo o mundo, o número de mulheres parlamentares mais do que dobrou desde 1995, para 25%;
  • No início de 2020, apenas 14 países tinham gabinetes com 50% ou mais cargos ocupados por mulheres. Dentre os países estão Ruanda, Finlândia, Canadá, Colômbia e Peru. Os Estados Unidos devem ingressar no clube depois que o presidente Joe Biden prometeu escolher um gabinete que “se pareça com a América”;
  • Mulheres ocupam mais de 30% dos assentos parlamentares na América Latina e Caribe, Europa e América do Norte. Mas nas ilhas do Pacífico elas detêm apenas 6% dos assentos;
  • As barreiras à participação das mulheres na vida pública incluem relutância dos partidos políticos em apoiá-las, falta de financiamento, percepções públicas de que os homens são melhores líderes, violência e intimidação;
  • Mais de 80% das mulheres parlamentares pesquisadas globalmente já sofreram violência psicológica;
  • Uma em cada quatro sofreu violência física e uma em cada cinco, violência sexual, conforme um estudo de 2016 da ONU Mulher. “Esta é uma forma de intimidar as mulheres fora da liderança mesmo antes de começarem”, disse Mlambo-Ngcuka. “Os governos e os sistemas de justiça criminal têm que prestar atenção (a isso) e garantir que os perpetradores sejam realmente processados”. /REUTERS

* Este número não inclui Taiwan ou países com monarcas mulheres.

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