Chefe da ONU vai a Mianmar e vê devastação

O secretário-geralda ONU, Ban Ki-Moon, viu arrozais inundados e casas destruídasao visitar na quinta-feira a área mais afetada pelo cicloneNargis, que passou no começo do mês por Mianmar. Ban sobrevoou de helicóptero o delta do rio Irrawaddy evisitou um acampamento mantido pelo governo. Ouviu dasautoridades que a situação está sob controle, mas disse aindaestar empenhando em dizer aos generais-governantes que a antigaBirmânia precisa se abrir à ajuda internacional. "Lamento muito, mas não percam as esperanças", disse Ban auma mulher no acampamento Kyondah, 75 quilômetros ao sul deYangon, maior cidade do país. "As Nações Unidas estão aqui paraajudar. O mundo todo está tentando ajudar Mianmar", disse ele. As equipes de resgate conseguiram atender apenas um quartodos necessitados. Esse foi o pior ciclone na Ásia em váriasdécadas, com um saldo de quase 134 mil mortos e desaparecidos. Para embarcar no helicóptero militar birmanês, Ban trocou ohabitual terno por um conjunto esportivo de calça e casaco e umboné. Toda a visita durou três horas e meia, e Ban conversou noacampamento com o ministro local da Energia, general Lun Thi,que lhe disse que "todos os esforços estão sendo feitos paralevar alívio às vítimas e para que o país logo volte aonormal". No final de semana, os militares já haviam levadojornalistas ao mesmo acampamento. Em Bangcoc, o secretário-geral da Associação de Nações doSudeste Asiático (Asean) disse que os países estão relutantesem fazer doações a Mianmar por não poderem avaliar por contaprópria os estragos. A Asean realiza no domingo em Yangon umaconferência para atrair doações internacionais. "A preocupação compartilhada é que não sabemos a extensãodos danos. Não sabemos o número de mortes, o número dedesaparecidos e o número de desabrigados", disse SurinPitsuwan, que recebeu das autoridades birmanesas a informaçãode que o país precisa de 11 bilhões de dólares em ajudahumanitária. A conferência de domingo coincide com o fim de mais umprazo de um ano de prisão domiciliar contar a líderoposicionista Aung Sann Suu Kyi, vencedora do Nobel da Paz. Elajá está detida há cinco anos, e ninguém espera que ela sejasolta. Na quinta-feira, o Parlamento da União Européia aprovou umaresolução que incentiva o Conselho de Segurança da ONU a adotaro uso da força se isso for necessário para entregar ajuda aMianmar, apesar da resistência da junta militar à presença deestrangeiros. O Parlamento não tem poder sobre a política externa dobloco, mas pode influenciá-la. Na sexta-feira, Ban deve se reunir com o general Than Shwe,chefe da junta militar, em Naypyidaw, a capital construída peloregime no meio da selva, a 250 quilômetros de Yangon. O governo permite que aviões pousem com ajuda humanitária,mas reluta em autorizar a ida de mais especialistas ocidentaisà zona do desastre. A TV estatal disse que há médicos de Índia,China, Tailândia, Laos e Bangladesh no delta do Irrawaddy,junto com 2.029 especialistas locais e 36 mil voluntários. A ONU disse que na quinta-feira chegaram a Yangon osprimeiros dez helicópteros autorizados pelo governo para levarmantimentos ao delta. Mas o regime continua rejeitando asofertas das Marinhas da França e dos EUA para levar ajudadiretamente aos sobreviventes. (Colaboraram Aung Hla Tun, Nopporn Wong-Anan e Ed Cropley)

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