Chefe da Otan diz que não há 'pressa para saídas' do Afeganistão

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, buscou dissipar neste domingo os receios de uma "pressa para saídas" do Afeganistão, enquanto aliados ocidentais se reuniam para planejar a retirada de uma guerra impopular que se arrasta há mais de uma década.

MISSY RYAN E PHIL STEWART, REUTERS

20 Maio 2012 | 16h34

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, está organizando a cúpula em sua cidade natal, Chicago, um dia depois de grandes nações industrializadas terem discutido soluções para a crise financeira europeia que ameaça a economia global.

Obama, na esperança de que uma estratégia de saída do Afeganistão possa ajudar a reforçar suas chances de reeleição em novembro, tentará colocar o foco em uma visão comum para a aliança, que entregará gradualmente a segurança a forças afegãs e retirará do país a maioria dos 130 mil soldados da Organização do Tratado do Atlântico NOrte (Otan) até o final de 2014.

Mas as negociações de Chicago devem ser marcadas por um clima de divisão, especialmente com o novo presidente da França, François Hollande, agora planejando retirar as suas tropas até o final de 2012, dois anos antes do calendário da aliança.

Buscando readministrar as diferenças, o secretário-geral da Otan expressou confiança de que a aliança "manteria a solidariedade dentro da nossa coligação", apesar da decisão da França.

"Não haverá pressa para as saídas", disse Rasmussen a jornalistas. "Nós continuaremos comprometidos com a nossa operação no Afeganistão e a acompanharemos até que ela tenha um final bem-sucedido".

Entretanto, sinalizando tensões sobre a questão, a chanceler alemã, Angela Merkel, disse as repórteres: "Nós fomos para o Afeganistão juntos, queremos deixar o Afeganistão juntos."

Hollande repetiu a promessa que fez durante sua visita aos EUA na semana passada de retirar "as tropas de combate" do Afeganistão ainda neste ano. Ele disse que um número extremamente limitado de soldados permanecerá para treinar as forças afegãs e trazer de volta o equipamento depois de 2012.

"Essa decisão é um ato de soberania e deve ser realizada em boa coordenação com nossos aliados e parceiros", disse Hollande, que irá discutir seus planos de saída com o presidente afegão, Hamid Karzai, no domingo.

O governo de Obama vem buscando o comprometimento de seus aliados no Afeganistão para dar 1,3 bilhão de dólares por ano às forças afegãs. Embora haja poucas dúvidas de que aliados eventualmente o apoiarão, parecia improvável que o grupo cumprirá essa meta até o final da reunião, aproximando-se da cúpula.

Rasmussen, em declarações à rede CNN no domingo, disse que uma motivação fundamental para o aumento do financiamento é que "na prática, é menos caro financiar as forças de segurança afegãs do que as nossas próprias tropas".

O convidado de última hora na reunião cuidadosamente planejada foi o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, cujas áreas ocidentais tribais oferecem abrigo a militantes que atacam o governo de Karzai e as forças da Otan.

Zardari pode passar por atritos com os líderes da Otan que têm pressionado o Paquistão a reabrir as rotas utilizadas para abastecer soldados da Otan no Afeganistão. O Paquistão fechou essas rotas em protesto quando aeronaves dos EUA mataram 24 soldados paquistaneses na fronteira afegã, em novembro.

Não ficou claro se um acordo para reabrir as rotas ocorrerá no encontro, como as autoridades norte-americanas esperavam no início da semana.

O general John Allen, comandante dos EUA no Afeganistão, disse à Reuters que estava confiante de um acordo acabaria por ser alcançado, mas disse: "Se será em dias ou semanas, eu não sei."

A questão econômica, incluindo planos para grandes cortes nos gastos de defesa na Europa e nos Estados Unidos, com certeza vai pesar nas negociações em Chicago, como ocorreu entre os líderes do G8.

A mensagem geral da cúpula do G8, que refletiu as preocupações de Obama de que o contágio da zona do euro, que ameaça o futuro do bloco monetário da Europa de 17 países, pode prejudicar uma recuperação dos EUA e as sua chances de reeleição.

Os líderes do G8, na esperança de ignorar anos de turbulência financeira, também disseram que a recuperação econômica mundial mostrou sinais promissores, mas que "ventos contrários significativos persistem".

A polícia ocupou as ruas da cidade para manter pacíficos os protestos, que devem reunir milhares de manifestantes. Manifestantes vinham protestando nos últimos dias antes do início da reunião, marcada para este domingo e segunda-feira.

Mais conteúdo sobre:
OTAN AFEGANISTAO CONSOLIDA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.