Chefe da Scotland Yard renuncia

Criticado por ação que causou a morte de Jean Charles, Ian Blair cai por falta de apoio do novo prefeito de Londres

AP e AFP, Londres, O Estadao de S.Paulo

03 de outubro de 2008 | 00h00

O comissário-chefe da Scotland Yard (polícia metropolitana de Londres), Ian Blair, apresentou ontem sua renúncia ao governo britânico, após meses de pressão. Blair - que se envolveu em várias polêmicas, entre elas a do assassinato em julho de 2005 do eletricista brasileiro Jean Charles - disse que deixa o cargo por falta de apoio do prefeito de Londres, Boris Johnson (eleito em maio), e não por eventuais falhas que tenha cometido."O novo prefeito deixou claro, de maneira polida mas evidente, que desejava uma mudança de liderança na polícia metropolitana", afirmou Blair. "Sem o apoio do prefeito, creio que que não posso continuar no cargo." Blair entrou na polícia em 1974 e trabalhou como detetive antes de integrar a força policial nacional. Por contrato, ele continuaria na chefia da Scotland Yard até 2010. No entanto, Blair ficará no posto até dezembro para que o governo tenha tempo de encontrar um substituto.O prefeito de Londres afirmou que a mudança será boa para a cidade. Segundo Johnson, "uma nova liderança e um novo senso de direção" serão benéficos para a polícia. Já o primeiro-ministro Gordon Brown elogiou Blair e disse que ele deu uma "grande" contribuição à segurança da Grã-Bretanha.Blair deixa o cargo em um momento turbulento, no qual é acusado pela imprensa de ter utilizado dinheiro público para pagar mais de US$ 26,4 mil a um amigo que o ajudou a melhorar sua imagem quando chegou à chefia da polícia, em 2005. Além disso, em agosto, ele foi acusado pelo oficial Tariq Ghaffur, muçulmano que tem a mais alta patente na Scotland Yard, por suposta discriminação racial. Em setembro, Ghaffur foi afastado de seu cargo para que suas declarações não prejudicassem a "eficácia operacional" da polícia.

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