Suzanne Plunkett/Reuters
Suzanne Plunkett/Reuters

Chefe da Scotland Yard renuncia e executiva é presa por caso de escutas

Stephenson deixa a polícia metropolitana por causa das acusações de ligação com a News Internacional

, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2011 | 00h00

LONDRES - O escândalo das escutas ilegais sofreu um novo desdobramento ontem com a demissão do comissário-chefe da Scotland Yard, Paul Stephenson, após ter sido relacionado com o caso de grampos e subornos do jornal News of the World, e a prisão de Rebekah Brooks, ex-diretora do tabloide e braço direito do magnata australiano Robert Murdoch.

O chefe da Scotland Yard renunciou ontem após a revelação de que ele tinha se reunido 18 vezes com dirigentes do grupo de Murdoch entre 2006 e 2010. "Tomei essa decisão por causa das especulações e das acusações sobre as ligações entre a polícia metropolitana e a News International, em particular com Neil Wallis (ex-diretor adjunto do News of the World)", disse Stephenson em entrevista coletiva.

A Scotland Yard, acusada de não ter se empenhado na investigação sobre o caso dos grampos, teve de admitir que tinha contratado Wallis como consultor em relações públicas.

Interrogatório. Várias fontes disseram que Rebekah, de 43 anos, foi interrogada em meio às investigações sobre o caso de interceptação ilegal de celulares de políticos, atores, parentes de vítimas das guerras no Iraque e no Afeganistão, e de uma menina que foi encontrada assassinada. O porta-voz dela, David Wilson, disse que ela foi detida ao comparecer a uma convocação policial. Ela foi solta horas mais tarde, após pagar fiança.

"O fato de ela ter sido presa obviamente tem implicações e é, sem nenhuma dúvida, uma garantia de que comparecerá, queira ou não, a uma comissão parlamentar na terça-feira", acrescentou Wilson. Segundo ele, Rebekah ficou muito abalada com a prisão. Murdoch e seu filho James, n.º 3 da News Corp., também foram convocados a prestar declarações ao Parlamento e, apesar de não serem obrigados a comparecer por serem australianos, eles indicaram que querem colaborar.

Rebekah renunciou na sexta-feira à direção da News International, a unidade britânica da News Corporation, de Murdoch, com quem há anos tem uma estreita relação. Com Rebekah, já são dez as pessoas detidas pelo escândalo desatado no início do mês - todos foram soltos sob fiança.

As revelações chocaram a opinião pública e elevaram os temores, não apenas pela falta de ética na mídia, como também sobre a influência de Murdoch sobre sucessivos líderes britânicos e as acusações de uma estreita relação entre alguns jornalistas e a polícia. O premiê David Cameron vem sendo criticado por sua amizade com Rebekah e por empregar como secretário de imprensa Andy Coulson, mesmo depois de ele ter renunciado à direção do News of the World em 2007, depois da prisão de um repórter por causa de uma denúncia de escuta ilegal.

O império da mídia de Murdoch foi alvo de novos ataques ontem, após a oposição britânica propor a aprovação de novas leis que impeçam apenas um homem de negócios ter uma participação tão grande nos meios nacionais de difusão. Após o fechamento do News of the World, Murdoch ainda possui três jornais britânicos - The Sun, The Times e The Sunday Times -, além de uma participação de 39% da TV por satélite BSkyB. Sob pressão, na semana passada Murdoch retirou a oferta de compra de mais ações da BSkyB, que lhe dariam o controle total sobre a TV.

Novas desculpas. Tentando amenizar a crise, o magnata publicou ontem um segundo anúncio em seus jornais para se desculpar pelo caso e prometer que a News Corp. reparará todos os danos causados. No texto, ele diz que sua empresa colaborará com a investigação e assegurou que "não haverá lugar onde possam se esconder" os que atuaram de forma errada. "Talvez leve algum tempo para reconstruir a esperança, mas estamos decididos a cumprir as expectativas de nossos leitores, colegas e sócios", afirma a mensagem. / AP e REUTERS

ESCÂNDALO MIDIÁTICO

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PERFIL

Rebekah Brooks,

Ex-diretora da News International

Executiva teve subida rápida

A carreira de Rebekah Brooks foi meteórica. Ela começou a trabalhar em 1989 no jornal News of the World como secretária e em 2000, com 32 anos, chegou a diretora do tabloide, o que a tornou a mulher mais jovem à frente de um jornal de âmbito nacional na Grã-Bretanha. Nos três anos que dirigiu o News of the World, o jornal dominical realizou numerosas escutas ilegais a fim de obter informações privilegiadas. Depois, ela passou a dirigir o tabloide The Sun, outro jornal do grupo e o mais lido da Grã-Bretanha, no qual permaneceu até 2009, quando foi nomeada diretora da News International. / EFE e REUTERS

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