Chefe das tropas no Afeganistão aprova decisão de Obama

Comandante das forças internacionais pediu envio de 40 mil soldados; presidente vai mandar 30 mil militares

Efe,

02 de dezembro de 2009 | 08h11

O chefe das tropas internacionais no Afeganistão, general Stanley McChrystal, emitiu um comunicado após o discurso público do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, parabenizando o líder pela iniciativa de enviar mais 30 mil soldados para o país asiático. O general afirmou que, nos próximos meses, o objetivo principal da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) será melhorar a segurança e apoiar aos aliados afegãos enquanto o Exército e a polícia afegãs se desenvolvem para assumir a responsabilidade pelo país.

 

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Obama anunciou o envio de 30 mil soldados ao Afeganistão, que se juntarão aos 100 mil (68 mil deles americanos) que já estão no país, e fixou o mês de junho de 2011 como data para o início da retirada. Em setembro, McChrystal tinha alertado a seu governo sobre o risco de fracasso no conflito afegão se não houvesse uma revisão da estratégia e o envio de mais tropas para somar força aos aproximadamente 100 mil soldados presentes no Afeganistão - deles, 68 mil americanos.

 

Segundo McChrystal, a maioria dos reforços será usada em conjunto com o resto das tropas para missões de combate, enquanto outra parte será utilizada em tarefas de formação do Exército e da polícia afegã. O objetivo é poder melhorar a segurança e transferir a responsabilidade de sua supervisão às forças afegãs "assim que as condições permitam", afirmou o próprio McChrystal, em comunicado publicado horas antes da entrevista.

 

As autoridades afegãs fixaram em cerca de 400 mil homens - 160 mil policiais e 240 mil soldados - o necessário para a proteção do país, mas McChrystal afirmou, na entrevista coletiva, que levará "pelo menos quatro anos" para alcançar esse número. "O compromisso (...) é ter forças e capacidades suficientes, e essas capacidades podem ser diferentes no tempo para apoiar as forças afegãs para que tenham elas uma capacidade suficiente e equivalente", disse o general.

 

Em seu comunicado, McChrystal tinha associado o êxito no Afeganistão a um esforço internacional que integre elementos civil e militar, mas, diante da imprensa, acrescentou que não quer "aniquilar os taleban", mas "convencê-los". "Há alguns taleban aos quais será provavelmente muito difícil convencer, um núcleo duro de ideólogos ou gente com certas agendas, mas não acho que a grande maioria esteja nessa categoria", afirmou à imprensa o general americano.

 

Além disso, afirmou, no Afeganistão operam também membros da rede terrorista Al-Qaeda, um número "nunca grande, com um papel que não é o típico de combate direto, mas de trabalhar junto aos grupos insurgentes, como os taleban".

 

"A revisão liderada pelo presidente proporciona uma maior clareza na missão militar e os recursos para realizar nossa tarefa", disse McChrystal, que aplaudiu "a determinação e o compromisso" mostrados por Obama em seu discurso na academia militar de West Point.

 

Este foi o ano com maior registro de mortes nas tropas internacionais no Afeganistão, com quase 500 baixas, vítimas das ações dos insurgentes taleban, cada vez mais assentados em grande parte do país.

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