Chefe de agência nuclear iraniana pede demissão

Aghazadeh, diretor por 12 anos de departamento atômico, é amigo de Mousavi, que acusa Ahmadinejad de ter fraudado eleição presidencial

AP, REUTERS E THE GUARDIAN, TEERÃ, O Estadao de S.Paulo

17 de julho de 2009 | 00h00

O diretor da agência nuclear iraniana, Gholam Reza Aghazadeh, renunciou ao cargo depois de 12 anos a serviço do governo. "Aghazadeh renunciou depois de anos de esforço na indústria nuclear do país", afirmou o porta-voz do Departamento de Energia Atômica do Irã, Mohsen Delaviz, sem dar detalhes. Apesar de os motivos da renúncia não terem sido divulgados, acredita-se de que ela pode estar relacionada com a eleição presidencial de 12 de junho.Aghazadeh é amigo do opositor e candidato derrotado Mir Hossein Mousavi, que acusa o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad de ter fraudado a votação do mês passado para conseguir a reeleição. O diretor da agência também é próximo do clérigo Hashemi Rafsanjani, um dos principais rivais de Ahmadinejad.De acordo com a agência de notícias Isna, Aghazadeh apresentou sua renúncia ao presidente iraniano há 20 dias. Aghazadeh também deixou um dos postos de vice-presidente.Considerado o pai do programa nuclear iraniano, Aghazadeh foi ministro do Petróleo (1985-1997) e ocupou o cargo de vice-primeiro-ministro na década de 80. No entanto, é improvável que sua saída afete o impasse entre o Irã e nações do Ocidente sobre o programa nuclear do país, pois ele não estava envolvido nas negociações."A renúncia de Aghazadeh é importante. Tudo no Irã está em processo de mudança, mas não acho que o programa nuclear mude de direção", afirmou Mark Fitzpatrick, especialista nuclear no Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, em Londres. Os EUA, aliados europeus e Israel acreditam que, sob o disfarce de um programa civil, Teerã tenta obter armas nucleares. O Irã, quarto produtor mundial de petróleo, mas sem infraestrutura para refino, afirma que o objetivo de seu programa nuclear é produzir energia.DEMONSTRAÇÃO DE PODERA oposição está preparando para hoje uma dramática demonstração de poder durante as preces de sexta-feira na Universidade de Teerã. Será a primeira vez que Rafsanjani fará o sermão depois da votação presidencial. Mousavi também disse que comparecerá ao local.Rafsanjani não deve falar sobre o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, mas pode criticar Ahmadinejad. Tanto partidários da oposição como linhas-duras estarão presentes na cerimônia, aumentando a tensão entre os dois grupos.DIAS DE REPRESSÃO 12/6 - Iranianos votam em eleições. Um dia depois, resultados dão vitória a Ahmadinejad. Oposição protesta 14/6 - Mousavi contesta o resultado e acusa o governo de fraude, que nega a acusação. Nos dias que se seguem, imprensa sofre restrições e Universidade de Teerã é atacada 17/6 - Prisão de estudantes e dissidentes moderados não contém manifestações

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.