REUTERS/Navesh Chitrakar
REUTERS/Navesh Chitrakar

Chefe de cozinha brasileiro adia viagem para atuar como voluntário no Nepal

Aurélio Magalhães, de Marília, fazia viagem de bicicleta pela Ásia e estava no Nepal no dia do terremoto, onde ajuda equipes de resgate

Chico Siqueira, Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2015 | 14h33

MARÍLIA - Em um post na rede social, o ciclista e chefe de cozinha Aurélio Magalhães, de Marília (SP), lamenta a forte chuva que prejudica o trabalho das equipes de resgate, em Katmandu. Magalhães pretendia fazer fotos da cidade e conferir a gastronomia local, quando foi pego se surpresa pelo terremoto no sábado, 25. Desde 2013, Magalhães faz uma viagem de bicicleta pela Ásia para conhecer a gastronomia da região, no projeto intitulado "Da China para casa by Bike", como batizou sua aventura.

Magalhães chegou a Katmandu um dia antes do tremor e pretendia continuar a viagem, mas decidiu adiar sua saída e ficar mais alguns dias para auxiliar as equipes de resgate. Porém, já no primeiro dia, sentiu o quanto essa tarefa será difícil.  


"Trabalho voluntário interrompido! Uma forte chuva seguida de trovoadas cai em Katmandu agora. A população carente de saneamento básico fica ainda mais exposta a riscos e doenças. Os desabrigados que agora vivem em tendas improvisadas em parques e terrenos da cidade, estão expostos ao vendaval e à chuva de granizo que cai em algumas regiões", escreveu Magalhães em uma mensagem publicada na sua página do Facebook na madrugada desta terça-feira, 28.

"Hoje fiz um trabalho bastante importante de profilaxia espalhando bactericidas em locais com grande concentração, sem saneamento básico, tentando conscientizar as pessoas a manterem o lixo e principalmente restos de alimentos em locais específicos", contou. "É um trabalho duro, pois a população mais carente tem dificuldade de entendimento da importância deste ato. Há muito lixo, é resto de comida espalhados por todos os lugares. Muitas moscas e ratos."

Depois de sobreviver ao tremor e de avisar a família por telefone e mensagens de texto que está bem, o chege de cozinha, que estava em uma casa distante do centro de Katmandu quando ocorreu o terremoto, falou sobre a experiência. "É uma sensação de impotência. Você pensa que vai morrer e não pode fazer nada", disse. "Depois de pedalar por tanto tempo, atravessar países, fronteiras, o momento mais perigoso da minha vida foi vivido fora de uma bicicleta", afirmou. "Um muro quase caiu em nossas cabeças. Foi assustador. Quando cheguei ao centro da cidade, tive uma ideia da intensidade do terremoto. O lugar em que eu estive há seis anos fotografando como turista, estava destruído."

O chefe de cozinha também relatou que estava há três noites sem dormir. "Espero poder descansar um pouco para continuar ajudando no resgate e ajuda às vítimas", escreveu antes de encerrar o contato pela internet.

Tudo o que sabemos sobre:
Nepalterremototerremoto no Nepal

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.