Chefe de direitos humanos da ONU pede libertação de líder oposicionista na Venezuela

A maior autoridade em direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Zeid Ra'ad al-Hussein, pediu nesta segunda-feira a libertação do líder oposicionista venezuelano Leopoldo López, assim como de várias outras pessoas que foram detidas durante a repressão a manifestações iniciadas em fevereiro na Venezuela.

STE, REUTERS

20 de outubro de 2014 | 18h46

Zeid disse em um comunicado emitido após uma reunião com a mulher de López, Lilian Tintori, em Genebra, na sexta-feira, que a "detenção prolongada e arbitrária" de oponentes políticos e manifestantes servia apenas para piorar as tensões no país rico em petróleo.

Um painel de especialistas independentes da ONU afirmou no mês passado que López, líder dos protestos que agitaram o país recentemente, e Daniel Ceballos, um ex-prefeito da cidade fronteiriça de San Cristóbal, foram detidos arbitrariamente, disse ele.

"Eu peço às autoridades venezuelanas que ajam de acordo com as opiniões do Grupo de Trabalho e libertem imediatamente o senhor López e o senhor Ceballos, assim como todos aqueles detidos por exercer seu legítimo direito de se expressar e protestar pacificamente", disse Zeid.

Mais de 3.300 pessoas, incluindo menores, foram detidas por breves períodos entre fevereiro e junho e mais de 150 casos de tratamentos abusivos, incluindo denúncias de tortura, foram relatados, de acordo com informações recebidas pelo gabinete de Zeid.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse que os protestos, nos quais manifestantes costumavam bloquear ruas com barricadas e lançar pedras contra a polícia, faziam parte de um plano para desestabilizar a sua administração.

O governo reconheceu alguns casos de abuso pelas forças de segurança e prendeu algumas autoridades como consequência, mas Maduro classificou as ações das forças de segurança em geral "contidas" diante de outros atos de violência.

Zeid expressou preocupação com o fato de que ao menos 69 pessoas continuam presas em conexão com os protestos.

"Jornalistas e defensores dos direitos humanos também relataram ameaças, ataques e intimidação", acrescentou ele.

Zeid, ex-embaixador da Jordânia na ONU que assumiu o cargo de alto comissário de direitos humanos da ONU em setembro, pediu ao governo socialista de Maduro que garanta a condução do devido processo legal em todos os julgamentos, em linha com padrões internacionais.

López, líder de um movimento de oposição radical, é acusado de planejar manifestações contrárias ao governo que resultaram na morte de 43 pessoas. Ele se entregou às autoridades em fevereiro e é mantido em uma prisão militar. O julgamento dele começou em julho.

(Reportagem de Stephanie Nebehay, reportagem adicional de Brian Ellsworth em Caracas)

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