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Ricardo Mazalan|AP
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Chefe de gabinete de Macri critica falta de apoio à transição

Chefe de gabinete do presidente eleito diz que equipe de Cristina não pretende passar dados atuais sobre o estado da economia argentina

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2015 | 02h00

Ao anunciar ontem o ministério argentino que assumirá com o conservador Mauricio Macri o poder dia 10, o futuro chefe de gabinete lamentou a falta de colaboração do kirchnerismo. “Teríamos preferido uma transição mais normal”, disse Marcos Peña. Ele se referia à negativa de Cristina Kirchner dois pedidos de Macri: dados da economia e troca de informação entre ministros que saem e que chegam. 

Durante a campanha, Macri prometeu formar “o melhor time dos últimos 50 anos” para governar. Defensor da meritocracia, ele não colocou apenas técnicos reconhecidos por sua atividade recente nos ministério. O presidente eleito no domingo, depois de bater o governista Daniel Scioli por 51,4% a 48,6, preocupou-se em incluir todas as forças de sua coalizão e até manteve um ministro kirchnerista. 

A composição política, incluindo o aceno para a oposição, indica sua preocupação com a governabilidade. Sua coalizão, a Cambiemos, está em minoria no Senado, onde o kirchnerismo tem 107 dos 157 assentos. Na Câmara, sua tarefa é relativamente mais fácil. Se conseguir unir todos os deputados não kirchneristas, obtém maioria.

Governos não peronistas têm dificuldade para terminar o mandato. Ontem o ex-presidente uruguaio José Mujica mostrou-se preocupado. “Quero que a Argentina ande o melhor possível. Mas esse desejo não seria sincero se eu não apontasse meus temores. E esses temores têm a ver com a estabilidade institucional da Argentina num desenho político que não é fácil, não é simples”, disse no programa de rádio que mantém. 

Com um partido que criou há 10 anos, o Proposta Republicana (PRO) Macri será o primeiro presidente na história democrática que não pertence ao peronismo ou à União Cívica Radical (UCR) – esta, parte da coalizão de centro-direita que elegeu Macri. O presidente eleito distribuiu a maior parte dos ministérios entre seu partido e a UCR. 

De outro partido de sua aliança, a Coalizão Cívica, veio um de seus ministros mais importantes, Alfonso Prat-Gay, ex-chefe do Banco Central que ficará a cargo de Fazenda e Finanças. O ministério de Economia foi extinto e desmembrado em seis (mais informações no Caderno de Economia). Rogelio Frigerio, um dos economistas que ajudou a elaborar o plano de governo macrista, será ministro do Interior. 

O ministro da Agricultura será Ricardo Buryaile e o do Meio Ambiente o rabino conservador Sergio Bergman. Ele é um dos maiores opositores ao pacto assinado por Cristina com o Irã em 2013, pelo qual acusados do atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina, em 1994. 

Germán Garavano chefiará a Justiça, cargo para o qual Macri já havia anunciado o presidente da UCR, Ernesto Sanz. Ele recusou alegando “razões pessoais”, o que deu margem a especulação sobre a coesão da Cambiemos.

Um dos nomes mais controvertidos é o da deputada Patricia Bullrich, fiel partidária de Macri, nomeada ministra de Segurança. No governo Fernando de La Rúa, ela ocupava a pasta do Trabalho (ainda sem dono com Macri) e foi acusada de truculência na negociação com sindicatos que pararam o país durante a crise de 2001. 

Com a manutenção do kirchnerista Lino Barañao no comando de Ciência e Tecnologia, reforçou dois princípios que tem repetido: governar para todos e valorizar quem fez um bom trabalho. 

O atual chefe de gabinete, Aníbal Fernández, rebateu as críticas de falta de colaboração por parte do kirchnerismo. “O que Macri esperava, entrar na piscina da Quinta de Olivos?”. Na terça-feira, Macri visitou Cristina na residência oficial e horas depois reclamou que “não tinha valido a pena”. 

Cristina afirma que seguirá na política. Em seu primeiro discurso público após a vitória de Mauricio Macri, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, disse que, agora na oposição, não prejudicará o futuro do país e seguirá na política. “Queremos que o país caminhe bem, não somos do exército do 'quanto pior, melhor’”, disse Cristina, ao lado de seu candidato derrotado, Daniel Scioli (E), em ato público na Província de Buenos Aires. No evento, lançou uma mensagem direta ao futuro presidente: "Um país não é uma empresa, é uma nação".

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