Chefe de inteligência dos EUA nega descontrole

Alto funcionário americano desmente reportagem do 'Washington Post' que afirma que o complexo do setor tornou-se difícil de se administrar

Gustavo Chacra, correspondente em Nova York, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2010 | 00h00

David Gompert, diretor nacional de inteligência dos EUA, criticou ontem as reportagens publicadas esta semana pelo jornal The Washington Post, que afirmam que as agências de segurança do país estão "fora de controle". "As reportagens não refletem a realidade da comunidade de inteligência que nós conhecemos", disse Gompert, em comunicado.

Ontem, em mais uma reportagem da série, o Washington Post afirma que a iniciativa privada controla cada vez mais a segurança dos EUA, que passou a ficar dependente de empresas contratadas para ajudar na luta contra o terrorismo e nas guerras do Iraque e do Afeganistão.

O jornal deslocou dois de seus principais repórteres - Dana Priest e William Arkin - para investigar, durante dois anos, todo o sistema de segurança que surgiu nos EUA após os atentados de 11 de setembro de 2001.

O resultado provocou enorme repercussão nos EUA, que até então desconhecia estudos com tantas informações sobre o tema. Em sua primeira reportagem, que foi às bancas na segunda-feira, o jornal informou que existem "1.271 organizações governamentais e 1.931 companhias privadas trabalhando com contraterrorismo, segurança nacional e inteligência em cerca de 10 mil localidades nos EUA".

Ao todo, diz a reportagem, 854 mil pessoas tiveram de passar por uma investigação antes de ser contratadas, sendo que 265 mil trabalham em empresas privadas.

"Em Washington e arredores, há 33 prédios e complexos de serviços de inteligência que foram erguidos ou estão em construção desde o 11 de Setembro", afirma o jornal. "Isso equivale a três vezes o tamanho do Pentágono, conhecido por suas gigantescas dimensões, que é sede do Departamento de Defesa dos EUA."

De acordo com o Washington Post, muitas das informações de inteligência são redundantes ou ignoradas e acabam não ajudando no combate ao terrorismo. A segunda reportagem, publicada ontem, vai mais longe e investiga a ligação do governo com as companhias privadas, que cresceram no período pós-11 de Setembro.

Interesse público. "O que começou como uma solução temporária transformou-se em uma dependência que levanta algumas questões: se muitos dos funcionários federais não estariam defendendo os interesses de acionistas - e não do público - e se o governo americano continua no controle das atividades mais sensíveis. Em entrevistas, na semana passada, tanto o secretário de Defesa, Robert Gates, quanto o diretor da CIA, Leon Panetta, concordaram com essas preocupações", afirma a reportagem.

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