Chefe de missão da ONU na Síria pede respeito total a cessar-fogo

No domingo, 25 pessoas morreram em confrontos entre as tropas de Assad e rebeldes pró-democracia, segundo a oposição

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2012 | 03h04

O chefe da missão de observadores da ONU na Síria, o major Robert Mood, pediu ontem ao presidente Bashar Assad e aos rebeldes que lutam contra ele uma trégua para que o fragilizado cessar-fogo intermediado pelas Nações Unidas se mantenha. No domingo, ao menos 25 pessoas morreram, entre elas 14 civis, segundo oposicionistas.

Segundo Mood, os 300 observadores autorizados pela ONU para a missão na Síria não têm o poder de resolver todos os problemas do conflito e pediu cooperação aos dois lados. "Desejamos um esforço combinado com foco no bem-estar do povo sírio", disse Mood. "A violência, em todas suas formas, deve ser interrompida de forma verdadeira."

O cessar-fogo, negociado pelo enviado especial da ONU para a Síria, Kofi Annan, entrou em vigor no dia 12, mas nunca foi plenamente respeitado. Apesar disso, a comunidade internacional ainda apoia o plano, tido como a última oportunidade para impedir que o país entre em guerra civil declarada sem uma intervenção militar.

O presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Jakob Kellenberger, defendeu a importância do "plano Annan". "Infelizmente, o plano está sob risco. Por isso é muito importante que a missão de observadores seja ampliada na Síria", disse ao jornal suíço Der Sonntag.

A maioria dos analistas diz que o plano tem poucas chances de funcionar, apesar de ter o poder de limitar a cota diária de violência.

Pelo menos isso tem ocorrido em Homs, terceira maior cidade do país e um dos berços da revolta. Desde a chegada de dois observadores da ONU na semana passada, o nível de violência na cidade caiu, mas ainda há confrontos esporádicos. A cidade foi duramente bombardeada por Assad há dois meses e os rebeldes retiraram-se de lá. Até a metade de maio, mais de mil observadores devem estar no país.

Confrontos. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, entidade dissidente com sede em Londres, atiradores de elite do governo mataram duas pessoas nos arredores de Homs. Outras 20, entre elas 14 civis, morreram na Província de Hama, no centro do país. Três militares morreram em conflito com rebeldes em Deir el-Zour.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, responsabilizou o regime sírio pelas violações do cessar-fogo. Teme-se que Assad esteja tentando ganhar tempo para impedir um acordo que o tire do poder. / AP

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