Chefe de monitores da ONU na Síria mostra pessimismo

Para general norueguês, aumento da violência de ambos os lados cria 'risco significativo' para Plano Annan

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2012 | 03h03

O chefe da missão de observadores das Nações Unidas na Síria, general Robert Mood, deu a entender ontem que sua equipe já não crê na possibilidade de implementação do plano de paz traçado pelo ex-secretário-geral da ONU e principal mediador da crise síria, Kofi Annan.

Mood destacou que a violência se intensificou nos últimos dez dias por parte dos dois lados, em alusão ao regime de Bashar Assad e aos rebeldes, o que representa um "risco significativo" para a equipe de observadores internacionais. "Parece que falta vontade para ver uma transição pacífica e, por outro lado, há tentativas de avançar rumo a posições militares", considerou o general norueguês.

Mood afirmou que a escalada de violência está "limitando" a capacidade dos observadores de verificar o que acontece e ajudar a instaurar o diálogo e a estabilidade no país. O chefe dos observadores disse estar "frustrado" e lembrou que o importante é que o regime e a oposição "deem uma oportunidade à missão" para realizar seu trabalho.

Sob o mandato do Conselho de Segurança da ONU, 300 observadores não armados estão no país para comprovar o cumprimento de um cessar-fogo decretado em 12 de abril e frequentemente violado.

A trégua era um dos pilares do chamado Plano Annan, com o qual as duas partes em conflito se comprometeram. Essa iniciativa estipula ainda o fim das hostilidades, a libertação dos detidos de forma arbitrária, a retirada militar das cidades, a entrada de ajuda humanitária e o início de um diálogo político.

Apesar do pessimismo, Mood rejeitou a tese de que a situação na Síria já tenha se degenerado tecnicamente numa guerra civil. / EFE

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