Chefe de polícia britânico pede desculpas por grampo

O mais graduado comandante da polícia britânica, o Comissário da Polícia Metropolitana, Ian Blair, pediu desculpas por ter gravado secretamente uma conversa por telefone com o advogado-geral da Grã-Bretanha, Lord Goldsmith. O advogado-geral é o mais graduado assessor legal do governo britânico e teria ficado "bastante bravo" e "decepcionado" com a gravação. Depois do pedido de desculpas, porém, Lord Goldsmith teria dado o assunto por encerrado. Ian Blair também admitira ter gravado outras conversas com encarregados da investigação sobre a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes. Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse que ele tem "total confiança" em Ian Blair. O presidente da Metropolitan Police Authority (agência encarregada de fiscalizar a polícia), Len Duvall, deve se reunir com a cúpula da agência para discutir o assunto. Segundo uma porta-voz da Metropolitan Police Authority. Duval está "extremamente preocupado" e considera que há "questões a serem respondidas". ´Confiança´ Ian Blair já tinha sido criticado anteriormente pela forma como agiu depois da morte de Jean Charles, que foi assassinado a tiros pela polícia antiterrorismo da Grã-Bretanha numa estação de metrô em Londres, em julho passado. A conversa do comissário e Goldsmith ocorreu em setembro do ano passado e os dois estavam discutindo se provas obtidas em gravação de telefonemas poderiam ser usadas em julgamento. Richard Barnes, integrante da Metropolitan Police Authority e da Assembléia Legislativa de Londres, disse que Blair deveria reconsiderar sua posição. "Acho que ele chegou a um ponto em que ele precisa considerar sua posição. A reputação do Metropolitan Police realmente deve estar acima de tudo e é o que precisamos proteger", disse. Shami Chakrabarti, diretora do grupo de direitos humanos Liberty, defendeu a renúncia de Blair. "O comportamento dele parece ser inconstitucional, antiético e possivelmente ilegal", disse. "É muito difícil para nós termos confiança nele como o mais graduado responsável pela aplicação da lei no país."

Agencia Estado,

13 Março 2006 | 10h10

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