REUTERS/Sergio Perez
REUTERS/Sergio Perez

Chefe de polícia da Catalunha presta depoimento em Madri por suposta sedição

Josep Lluís Trapero não fez declarações à imprensa antes de entrar no tribunal; delito pode resultar em pena máxima de prisão de 10 anos para cidadãos comuns e 15 anos no caso de autoridades

O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2017 | 07h44

MADRI - O chefe de polícia da Catalunha, Josep Lluís Trapero, e dois líderes de associações independentistas compareceram nesta sexta-feira, 6, à Audiência Nacional para prestar depoimento por suposta sedição vinculada às manifestações antes do plebiscito de autodeterminação de domingo 1.º. Todos já foram liberados e sem medidas cautelares, informou uma fonte judicial.

+ Entrevista: ‘Se Madri aceitasse um plebiscito legal, separatistas perderiam’

O alto tribunal convocou Trapero; sua vice-comandante, Teresa Laplana; além de Jordi Sánchez, da Assembleia Nacional Catalã; e Jordi Cuixart, da Omnium Cultural, para prestar depoimento como investigados pelo suposto delito. Teresa comparecerá por videoconferência, por questões de saúde. O governo separatista da região avança em seu projeto de uma declaração unilateral de independência.

+ Justiça proíbe Parlamento catalão de se reunir para declarar independência

O chefe da polícia regional catalã, os Mossos d'Esquadra, que ganhou fama por ter liderado a investigação dos atentados em Barcelona e Cambrils nos dias 17 e 18 de agosto, não fez declarações à imprensa antes de entrar no tribunal.

A investigação está relacionada às manifestações realizadas diante de uma dependência do governo catalão em Barcelona nos dias 20 e 21 de setembro, quando a Guarda Civil realizava uma operação no local. Os manifestantes danificaram veículos dos policiais estacionados diante do prédio e impediram a saída dos agentes por várias horas.

O delito de sedição pode resultar em uma pena máxima de prisão de 10 anos para cidadãos comuns e 15 anos no caso de autoridades.

Os investigados estavam acompanhados por um pequeno grupo de deputados catalães independentistas e do País Basco, tanto nacionalistas de direita como da esquerda separatista. Os deputados não foram autorizados a entrar no edifício. Um deles exibiu a cédula de votação do plebiscito de autodeterminação aos policiais que protegiam o local.

A realização do pleito de domingo, apesar da proibição do Tribunal Constitucional, provocou a maior crise política na Espanha desde o retorno da democracia em 1977. Os separatistas catalães, que afirmam ter vencido o plebiscito com 90% dos votos e uma taxa de participação de 42,3%, cogitam declarar unilateralmente a independência na segunda-feira. O governo central espanhol, do primeiro-ministro Mariano Rajoy, se mostra decidido a impedir a declaração. / AFP

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.