Chefe de polícia de Londres resiste a pressão e se recusa a sair

O chefe da polícia londrina, Ian Blair,reafirmou na quarta-feira que vai continuar no cargo, apesardas pressões por sua demissão pela morte do brasileiro JeanCharles de Menezes, confundido com um homem-bomba em julho de2005. Numa reunião da Assembléia de Londres, o comissário daPolícia Metropolitana insistiu que conta com o apoio dosmoradores da capital e de seus próprios oficiais. A Assembléia, que é formada por políticos locais, aprovouno entanto uma medida pedindo que Blair "analise sua posição erenuncie", embora não tenha poderes para tirá-lo do cargo. "Só quero continuar fazendo meu trabalho e é isso que voufazer", disse Blair à Assembléia, afirmando que parte dapressão por sua demissão vem de "outras forças." "Já declareiminha posição", afirmou. "Se vocês tiverem o poder de mederrubar, vão em frente." O papel de Blair no incidente foi se transformando cada vezmais numa questão política. Conservadores e liberal-democrataspressionam por sua queda, mas o primeiro-ministro Gordon Brown,trabalhista, o apóia incondicionalmente. As divergências políticas ficaram claras no interrogatórioquase hostil de que Blair foi alvo por parte de membrosconservadores da Assembléia. Eles lhe perguntaram se a posiçãodele é sustentável mesmo depois da condenação da força policialno caso. O eletricista brasileiro de 27 anos recebeu sete tiros nacabeça ao embarcar num trem do metrô no sul de Londres, no dia22 de julho de 2005, um dia depois de um frustrado ataque abomba contra o sistema de transporte londrino, que imitava aação que matara 52 pessoas duas semanas antes. A polícia londrina foi condenada a pagar uma multa de 175mil libras por colocar o público em perigo quando atirou, alémde ter de pagar custas processuais no valor de 385 mil libras,veredicto do qual, segundo Blair, a polícia não vai recorrer. Blair admitiu que já cometeu erros, mas disse que seria"absolutamente irresponsável" de sua parte renunciar por causado episódio, pois isso deixaria seu sucessor numa situaçãoimpraticável. "Se um comissário for forçado a deixar o cargopela pressão da mídia ou da política, na vez seguinte seráainda mais fácil", disse ele. Na quinta-feira será publicado um esperado relatório sobrea morte do brasileiro elaborado pela Comissão de Queixas contraa Polícia, o que deve colocar Blair de novo na berlinda. Équase certo que ele seja submetido a uma moção de desconfiançapela Autoridade da Polícia Metropolitana, que supervisiona aforça londrina. "Espero e não creio que a maioria dos membrosda Autoridade queira que isso aconteça," disse Blair.

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