Chefe de segurança da ONU se demite após relatório de atentado

O chefe da área de segurança daOrganização das Nações Unidas (ONU) renunciou depois de umainvestigação sobre um atentado com carro-bomba que matou 17funcionários da entidade em Argel ter identificado falhascometidas pelo departamento dele, afirmou na terça-feira osecretário-geral da entidade, Ban Ki-moon. Ban, em um comunicado, afirmou que o britânico DavidVeness, sub-secretário-geral para a Segurança, disse-lhe no diaanterior que assumia a culpa por "qualquer falha que pode terocorrido" envolvendo o atentado de 11 de dezembro do anopassado. Veness, um ex-chefe da área de combate ao terrorismo juntoà Scotland Yard, ocupava o cago havia três anos. Segundo Ban, o britânico tinha melhorado muito o sistema desegurança da ONU e continuaria a desempenhar suas funções até aescolha de um substituto. Um painel formado por sete integrantes e encarregado deinvestigar o ataque realizado contra a sede da ONU em Argel,disse em um relatório que o atentado havia significado um testepara as medidas de segurança adotadas pela entidade. "Infelizmente, o sistema como um todo e os indivíduos que,tanto na estação de trabalho quanto na sede (da ONU em Argel),eram os responsáveis pelos funcionários da ONU em Argel e pelasegurança deles e das instalações da entidade, cometeramerros", afirmou Lakhdar Brahimi, chefe do painel. "Houve vários indícios mostrando que muitos membros daequipe em postos do alto e do médio escalão podem ter falhadoao não responderem adequadamente ao ataque de Argel, tantoantes quanto depois da tragédia", disse Brahimi, ex-chancelerda Argélia e hoje autoridade da ONU. O relatório do painel não atribuiu culpas específicas anenhum indivíduo. Michele Montas, porta-voz da ONU, afirmou arepórteres que um outro "painel de responsabilização"determinaria nas próximas semanas os culpados por cada falha eas consequências disso. Segundo o relatório do painel, ainda, não obstante asautoridades argelinas terem garantido a segurança da ONU comeficiência ao longo de 20 anos, elas também cometeram erros nodia 11 de dezembro. A falta de uma maior proximidade entre os argelinos e aentidade mundial impediu uma cooperação mais profunda na áreade segurança, disse. "Essa debilidade poderia e deveria ter sido ao menosparcialmente evitada com uma postura pró-ativa" do departamentode Veness em Nova York. O departamento deveria tratar com prioridade ogerenciamento de liderança, o gerenciamento interno e osesforços de supervisão. Também houve falhas na resposta a alertas e a informaçõesrelacionadas com a área de segurança, além de o departamentocontar com recursos insuficientes.

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