Chefe de segurança na Cisjordânia jura lealdade a Arafat

O chefe de segurança palestino na Cisjordânia jurou lealdade hoje a Yasser Arafat, um dia depois de testemunhas dizerem que ele foi ameaçado pelo líder palestino com uma arma, durante uma acalorada discussão. Arafat estava tremendo no momento e a pistola caiu de sua mão, afirmou uma autoridade palestina, que pediu para não ser identificada. Assessores de Arafat recusaram-se a comentar, e o chefe de segurança disse que a informação foi divulgada por "meios de comunicação hostis".A discussão entre Arafat e Jibril Rajoub, chefe do Serviço de Segurança Preventiva na Cisjordânia, ocorreu num momento de crescente discordância na Autoridade Palestina sobre a amplitude de uma repressão que Arafat tem, repetidamente, prometido contra supostos militantes palestinos.Arafat está sob intensa pressão dos Estados Unidos e Israel para desmantelar milícias, incluindo as Brigadas Al Aqsa, vinculadas a seu movimento Fatah, e para prender supostos militantes. Mas muitos palestinos se opõem a tais medidas, sem que existam ganhos concretos para mostrar por mais de um ano de confrontos. Israel tem dito que só permitirá que Arafat deixe a cidade de Ramallah, na Cisjordânia, depois de tomar ações decisivas.A virtual prisão domiciliar imposta por Israel a Arafat tem coincidido com - e, segundo alguns, tem causado - uma crescente desordem em áreas palestinas, com milicianos cada vez mais desafiando ordens do líder palestino. No domingo, Arafat e membros do Conselho Revolucionário da Fatah decidiram desmantelar as Brigadas Al Aqsa, que promoveu muitos ataques a tiros contra israelenses nos últimos 16 meses de confrontos.Na terça-feira, Arafat reuniu-se com Rajoub e o questionou sobre notícias de que o chefe de segurança havia dito a assessores que não iria agir contra milicianos da Fatah, afirmou um funcionário da Autoridade Palestina. Quase todos os homens de Rajoub são integrantes da Fatah, e Rajoub tem endossado uma repressão a militantes islâmicos, mas tem evitado confrontar os milicianos da Fatah.Arafat também acusou Rajoub de responsabilidade pela fuga de 17 prisioneiros palestinos, incluindo militantes islâmicos, de uma cela na Cisjordânia no começo da semana. Os prisioneiros foram libertados por uma multidão que invadiu a prisão na cidade de Hebron.Arafat e Rajoub teriam tido uma acalorada discussão, com o líder palestino acusando o chefe de segurança de desafiar suas ordens, disse o funcionário. Em certo momento, Arafat teria sacado sua pistola, mas sua mão estava tremendo e a arma caiu no chão, acrescentou. Rajoub virou as costas e saiu. Num comunicado publicado hoje no diário palestino Al Quds, Rajoub jurou lealdade a Arafat."Qualquer diferença com o símbolo da liberdade nacional (Arafat) e da luta palestina, num momento em que tanques israelenses estão estacionados a 70 metros do quartel-general presidencial, é traição, e não posso fazer parte disso", escreveu Rajoub.Rajoub é um dos mais poderosos palestinos depois de Arafat, e é amplamente visto como decisiva figura política. Ele também é conhecido por manter relações relativamente boas com oficiais de segurança israelenses, e tem mantido seus homens sob seu direto controle e fora dos atuais confrontos contra Israel.

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