Chefe do cerco a Sarajevo é condenado a 33 anos de prisão

Tribunal servo-bósnio culpa Dragomir Milosevic por crimes de guerra e contra a humanidade

ALEXANDRA HUDSON, REUTERS

12 de dezembro de 2007 | 10h12

Um tribunal da ONU sentenciou nesta quarta-feira, 12, um ex-general servo-bósnio a 33 anos de prisão por ter determinado o bombardeio de Sarajevo e aterrorizado seus habitantes durante a guerra da Bósnia (1992-95). Dragomir Milosevic foi condenado por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, o que inclui a responsabilidade por ataques indiscriminados a civis cometidos por sua unidade militar, a Sarajevo Romanija Corps (SRK), parte do Exército dos sérvios da Bósnia. "As provas apresentam uma narrativa horrível do cerco e da armadilha contra uma cidade e do seu bombardeio", disse o juiz Patrick Robinson. Milosevic tornou-se comandante da SRK em agosto de 1994, substituindo o general Stanislav Galic, que já foi condenado a prisão perpétua por sua participação no cerco a Sarajevo. Robinson disse que foi sob o comando de Milosevic que bombas modificadas, muito imprecisas, passaram a ser usadas. Foi ele quem teria decidido a posição dos lançadores das bombas. "Cada vez que uma bomba aérea modificada era lançada, o acusado estava brincando com as vidas dos cidadãos de Sarajevo", afirmou o magistrado. Os promotores haviam pedido a prisão perpétua para o ex-general, de 65 anos, que não tem parentesco com o ex-ditador sérvio Slobodan Milosevic. Dragomir Milosevic se rendeu em dezembro de 2004 ao tribunal especial da ONU e se declarou inocente. O drama de Sarajevo se tornou praticamente sinônimo da guerra da Bósnia. Pela TV, o mundo viu franco-atiradores e mísseis atacando o centro da cidade, que tem população majoritariamente muçulmana e é cercada por morros íngremes. Num dos piores ataques, em agosto de 1995, um morteiro matou 43 pessoas e feriu 75 que faziam fila para comprar pão no mercado da cidade. "A SRK submeteu Sarajevo a uma campanha prolongada e homicida de terror por meio de bombardeios e ataques de franco-atiradores contra civis. Esta campanha sangrenta e criminosa prosseguiu por 44 meses", disseram os promotores em suas alegações finais. Uma pesquisa do Centro de Documentação e Investigação, de Sarajevo, disse que cerca de 14 mil pessoas foram mortas na capital bósnia e arredores durante a guerra de independência. Mais de 10 mil - a maioria muçulmanos, mas também croatas e sérvios - foram mortos na parte muçulmana de Sarajevo, em combates ou ataques-surpresa.

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