Chefe do estado-maior recomendará a Bush redução de tropas no Iraque

Volta de soldados seria necessária para não minar capacidade do Exército de reagir a outras ameaças, como o Irã

Los Angeles Times, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2025 | 00h00

O comandante do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, almirante Peter Pace, aconselhará o presidente dos EUA, George W. Bush, a reduzir substancialmente o número de soldados no Iraque em 2008. A recomendação deve contrariar funcionários do alto escalão da Casa Branca e outros comandantes militares sobre o curso da guerra.Segundo oficiais militares e funcionários da administração, Pace advertirá Bush que manter no Iraque uma força em número muito superior a 100 mil soldados prejudicará seriamente o Exército. Hoje, há 162 mil soldados no Iraque.A avaliação de Pace entrará em choque com o relatório a ser apresentado pelo comandante das forças dos EUA no Iraque, general David H. Petraeus, para quem deve-se manter o maior número possível de soldados no país em 2008 e 2009.Petraeus deve apoiar a posição da Casa Branca, para a qual a falta de um avanço político no Iraque exige que o "reforço" de tropas seja mantido por alguns meses mais.As recomendações de Pace, no entanto, refletem a opinião do Estado-Maior Conjunto do Exército, que, no início do processo, mostrou-se particularmente cético em relação à estratégia decidida por Bush e conduzida por Petraeus - embora publicamente a tenha apoiado.De acordo com líderes militares e funcionários do governo, para o Estado-Maior é estrategicamente importante reduzir a força mobilizada no Iraque de modo a aumentar a capacidade militar do Exército para responder a outras ameaças - posição compartilhada pelo secretário da Defesa, Robert Gates. Segundo um funcionário do alto escalão do governo, nas últimas semanas o Estado-Maior do Exército tem insistido na preocupação de que a guerra do Iraque prejudicou a capacidade militar dos EUA para uma reação, se necessária, a outras ameaças, como o Irã.Pace apresentará as recomendações em caráter particular e não num relatório oficial. No entanto, a sua opinião e do Estado-Maior corrobora a posição dos críticos de Bush, incluindo os candidatos democratas à presidência, que desejam que a força americana no Iraque seja reduzida. Entre eles o senador pela Virgínia John Warner, que, na quinta-feira, insistiu para que Bush comece a retirada das tropas em setembro, pressionando assim o governo iraquiano para avançar na direção de um compromisso político.Os comandantes pretendem uma redução significativa no número de soldados tão logo se encerre essa fase de reforço de tropas - talvez para dez brigadas de combate, metade das 20 que estão atualmente no Iraque.Como o mais importante comandante de campo americano, Petraeus tem ampla autoridade e é bastante ouvido em Washington. Pace, por seu lado, é visto como um conciliador que se opõe a um confronto com lideres civis sobre a estratégia de guerra. O mandato de Pace termina em setembro e essa é sua última oportunidade para provocar um impacto sobre o futuro da guerra.

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