Chefe do FBI contradiz depoimento juramentado do secretário de Justiça

O diretor do FBI (polícia federal americana), Robert Mueller, contradisse ontem um depoimento juramentado feito no Senado pelo secretário da Justiça, Alberto Gonzales. Mueller disse ao Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes que o programa governamental secreto de escutas telefônicas foi o principal assunto de uma reunião com o então secretário de Justiça John Ashcroft em 10 de março de 2004, da qual participou Gonzales.Na terça-feira, o atual secretário de Justiça disse no Senado que naquele encontro de 2004 foram discutidas "atividades de inteligência", mas não o programa de escutas. O depoimento de Mueller complica a situação de Gonzales. Ontem mesmo, um grupo de quatro senadores democratas pediu a designação de um procurador especial para investigar se o secretário de Justiça cometeu perjúrio em seus depoimentos ao Congresso. Os senadores - Charles Schumer, Dianne Feinstein, Russ Feingold e Sheldon Whitehouse - solicitaram uma investigação das declarações de Gonzales sobre as escutas telefônicas e sobre o caso de oito procuradores federais demitidos em dezembro."É evidente que Gonzales proporcionou meias verdades e declarações enganosas", afirmaram os democratas em carta ao Comitê Judicial do Senado e ao procurador-geral dos EUA. A Casa Branca afirmou que continua apoiando Gonzales. O pedido dos democratas coincidiu com a convocação de Karl Rove, principal assessor do presidente George W. Bush, para depor diante do Comitê Judicial do Senado sobre o caso dos procuradores federais demitidos. Atualmente, o Congresso e o Departamento de Justiça investigam se a decisão teve motivação política e a Casa Branca, participação no caso.

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