Chefe do governo não recebe enviado da ONU em Mianmá

Enviado das Nações Unidas tenta na segunda-feira dialogar com general reponsável pelo regime no país

Associated Press e Agência Estado,

30 de setembro de 2007 | 18h18

Apesar de o enviado da Organização das Nações Unidas (ONU), Ibrahim Gambari, se reunir neste domingo, 30, com a líder birmanesa de oposição Aung San Suu Kyi e com representantes da junta militar que governa Mianmá, o negociador não pôde encontrar com o líder da junta, o general Than Shwe, nem com o segundo militar de mais alta patente do governo.   Veja também: Jornalista japonês é morto por policiais Entenda a crise e o protesto dos monges  Dissidentes cibernéticos driblam censura  População apóia protesto dos monges   Gambari e os militares não comentaram o avanço das negociações para acabar com repressão aos oposicionistas, que na semana passada promoveram os maiores protestos dos últimos 20 anos no país. Até o momento, o governo admitiu que dez pessoas morreram na quarta-feira, primeiro dia da repressão.   Gambari regressou mais tarde ao quartel-general da junta para um possível encontro com o general Than Shwe, mas não houve reunião. Uma nova tentativa será feita nesta segunda. Gambari "espera reunir-se com Than Shwe" antes de deixar a região, informou a ONU por meio de um comunicado. Mais cedo, o enviado encontrou-se com os generais Thein Sein, primeiro-ministro em exercício, Khin Aung Nyint, ministro da Cultura, e Kyaw Hsan, ministro da Informação, na nova sede do governo, em Naypyitaw, cerca de 385 quilômetros ao norte de Rangum. Apesar de esses funcionários ocuparem cargos na hierarquia da junta, as decisões finais cabem a Than Shwe e, em certa medida ao general Maung Aye, segundo na hierarquia de poder birmanesa. Depois de conversar com os militares em Naypyitaw, Gambari viajou a Rangum. Ele ficou hospedado na Casa dos Convidados do Estado e recebeu Suu Kyi, que foi tirada da prisão domiciliar para conversar com o enviado da ONU, numa inesperada concessão da junta militar. De acordo com um comunicado divulgado pelas Nações Unidas, Gambari e Suu Kyi estiveram reunidos por cerca de uma hora. Não foram divulgados detalhes da conversa. A visita a Aung San Suu Kyi foi autorizada pela junta militar que governa o país. O gesto pode ser considerado uma surpresa, já que os militares raramente permitem visitas a Suu Kyi, que cumpre prisão domiciliar em Rangum e vive confinada em uma casa sem telefone.   Vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, na semana retrasada ela foi vista em público pela primeira vez desde maio de 2003 e não recebia visitas de estrangeiros havia dez meses. Depois do encontro com Suu Kyi, Gambari retornou a Naypyitaw com a esperança de reunir-se com Than Shwe ou Maung Aye antes de deixar o país, revelou um diplomata asiático sob condição de anonimato. Segurança reforçada Os esforços diplomáticos ocorreram enquanto milhares de soldados protegiam as principais cidades de Mianmá neste domingo. Dezenas de pessoas foram detidas entre sábado e domingo, debilitando ainda mais a onda de protestos iniciada em 19 de agosto. De acordo com grupos dissidentes, na madrugada de sábado para domingo 20 mil soldados entraram em Rangum para reforçar a segurança na maior cidade birmanesa. O domingo foi calmo em Mianmá. Não havia multidões significativas nas ruas das principais cidades. O Exército espalhou barreiras em volta dos principais templos budistas e continuou a cercar os mosteiros, impedindo a saída de monges, que encabeçam as manifestações. Soldados e policiais se posicionaram em quase todas as esquinas da cidade e realizaram uma minuciosa operação de revista das pessoas que circulavam pelas ruas, procurando câmeras e celulares. A internet, usada por muitos dissidentes para enviar informações sobre a repressão, permaneceu fora do ar.

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