Chefe do Hezbollah diz que liderança do grupo continua intacta

O líder do Hezbollah, Sheik Hassan Nasrallah, disse nesta quinta-feira que a liderança do grupo continua intacta. Nasrallah apareceu em uma entrevista para a rede de TV Al-Jazeera um dia depois que Israel afirmou ter bombardeado um bunker onde ele estaria escondido.Nasrallah jurou que não libertará os dois soldados capturados por seus militantes mesmo que "todo o universo se virar contra nós". Ele disse que os dois só serão entregues depois de uma troca de prisioneiros, feita por negociações indiretas.Aviões israelenses lançaram 23 toneladas de explosivos na noite de quarta-feira ao sul de Beirute, afirmando que o local era um bunker subterrâneo onde líderes do Hezbollah, incluindo Nasrallah, se reuniam. O Hezbollah imediatamente negou que houvesse qualquer bunker e afirmou que nenhum de seus membros foi ferido. Segundo o grupo, o ataque israelense atingiu uma mesquita em construção. A Al-Jazeera, que exibiu somente trechos da entrevista, afirma que a conversa foi gravada na quinta-feira. O entrevistador disse que o encontro aconteceu em meio a rígidas medidas de segurança mas não revelou o local. Nasrallah está escondido desde o início da ofensiva israelense, no dia 12 de junho. Apesar disso, ele discursou na TV do Hezbollah no domingo.O líder do Hezbollah também nega que Israel tenha destruído metade do arsenal de foguetes do grupo, definindo tais afirmações como "infundadas"."Até agora o Hezbollah agiu rápido, absorveu os ataques e tomou a iniciativa surpreendendo o inimigo", afirmou, acrescentando que "ainda haverão mais surpresas". Nasrallah completou dizendo que ume derrota do Hezbollah seria uma "derrota de todo a nação islâmica".Louco político O vice-primeiro-ministro israelense, Shimon Peres, qualificou o líder Nasrallah, de "louco político de primeira ordem". Em declarações sobre a crise atual publicadas hoje pelo jornal Ha´aretz, Peres disse que "ninguém como ele (Nasrallah) fez tanto para isolar e destruir o Líbano. E pensa em continuar assim".Segundo Peres, o Irã está por trás da ação do Hezbollah que provocou a crise na região. No último dia 12, o grupo atacou uma patrulha do Exército israelense na fronteira com o Líbano, matou oito soldados e seqüestrou outros dois. Trinta israelenses e mais de 300 libaneses morreram desde então.Na opinião do político israelense, a crise se intensificou porque, diante das atuais circunstâncias da política internacional, os Estados Unidos, a Rússia, a ONU, a União Européia e a Liga Árabe não exerceram influência sobre o Irã, o Hezbollah e o Hamas, "e o único país que teve coragem para fazer isso foi Israel".O vice-primeiro-ministro ressaltou que a ofensiva militar israelense no Líbano deve continuar, mas simultaneamente a um processo diplomático.

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