Donna Burton/CBP/via REUTERS
Donna Burton/CBP/via REUTERS

Chefe do órgão governamental que policia a fronteira dos EUA pede demissão

Segundo fontes, John Sanders pediu demissão após mais de 100 crianças imigrantes retornarem a abrigo no Texas acusado de não fornecer comida e banho aos detidos

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2019 | 15h46

O responsável por colocar em prática as políticas migratórias dos Estados Unidos, John Sanders, irá renunciar do cargo no começo de julho, segundo afirmado por uma fonte nesta terça-feira, 25. Sanders, que atualmente lidera a agência de Alfândega e Proteção da Fronteira americana, teve o mandato desgastado devido ao tratamento oferecido pelos EUA a imigrantes menores de idade.

A decisão foi tomada após a notícia de que mais de 100 crianças teriam sido reencaminhadas a um dos abrigos da patrulha fronteiriça na cidade de Clint, no Texas. Um grupo de advogados que recentemente visitou o local denunciou o tratamento oferecido aos detidos menores de idade, que passam semanas sem acesso a chuveiros, roupas limpas ou comida em quantidades plausíveis. Sanders teria anunciado a renúncia por e-mail a colegas logo após a divulgação da notícia na imprensa americana, com o último dia de trabalho marcado para 5 de julho.

Em um telefonema com a imprensa nesta terça, um funcionário da agência refutou a versão dos advogados a respeito do centro fronteiriço no Texas, afirmando que os detidos têm acesso periódico a chuveiros, além do oferecimento ilimitado de lanches ao longo do dia.

Sanders ficou no cargo por menos de dois meses. Ele assumiu após o presidente Donald Trump transferir o seu antecessor, Kevin McAleenan, para assumir o cargo de secretário de segurança nacional. A saída de Sanders, entretanto, ainda não foi confirmada pela agência.

Um funcionário do departamento de segurança nacional, que falou anônimamente, afirmou que a renúncia não tem relação com as recentes controvérsias em relação ao tratamento oferecido pelos EUA a crianças e adolescentes imigrantes na fronteira. Sanders defendeu nas últimas semanas a expansão dos centros de abrigo da patrulha fronteiriça para acomodar mães e os filhos menores de idade, já que eles não conseguem ser acolhidos pelo departamento de saúde.

A notícia da renúncia de Sanders ocorre no mesmo dia em que deputados democratas pressionaram o Congresso para colocar em pauta a votação de uma proposta emergencial de US$ 4,5 bi de auxílio humanitário para a recepção dos imigrantes na fronteira com o México.

Há controversas dentro do próprio partido: enquanto algumas lideranças tentam apaziguar a opinião pública, que cobra soluções para a crise migratória, outros argumentam que a aprovação de envio de mais verbas para conter a crise somente vai favorecer a política adotada pelo governo Trump até agora, que terá mais recursos.

A garantia do número mínimo de votos necessários para aprovar a medida ainda não é certa. As alas liberal e hispano-americana do Partido Democrata são as que dificultam a aprovação do texto, assim como deputados de distritos fronteiriços.

Deputados democratas se reuniram na noite de segunda-feira, 24, para estabelecer uma lista de alterações no texto para serem inseridas antes que entre para votação, na tarde desta terça. Entre as medidas, frases que levariam a agência de Alfândega e Proteção da Fronteira a oferecer atendimento médico, melhorar a alimentação e as condições de higiene e treinar funcionários para que eles garantam que a saúde e a segurança das crianças e adultos sob custódia não estejam em risco. 

Também na segunda, o México posicionou 15 mil soldados e policiais em sua fronteira norte para cumprir o compromisso assumido com o governo dos EUA de frear a migração, realizando inclusive detenções.

"Temos uma mobilização total entre a Guarda Nacional e as unidades do Exército de quase 15 mil homens no norte do país", afirmou o secretário de Defesa Nacional, Luis Cresentio Sandoval, durante a conferência matutina do presidente Andrés Manuel López Obrador.

Sandoval informou que, além de interceptar migrantes em sua passagem pelo território mexicano, o exército e a Guarda Nacional - formada por policiais militares, navais e federais - também os prendiam tentando cruzar a fronteira com os Estados Unidos.

"Considerando que a migração não é delito, é uma falha administrativa, então não prendemos mais ninguém e colocamos à disposição das autoridades" do Instituto Nacional de Migração, explicou Sandoval.

Na fronteira sul - com a América Central - há cerca de 6,5 mil militares para evitar a passagem de milhares de migrantes, na maioria provenientes de Guatemala, Honduras e El Salvador, que buscam chegar aos Estados Unidos fugindo da violência e da pobreza. / NYT, W. POST e AFP

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