Chefe do Pentágono diz que EUA manterá seu poder na Ásia

Washington continuará comprometidocom a Ásia não importa o que acontecer na eleição presidencialnorte-americana neste ano, disse neste sábado o secretário deDefesa dos Estados Unidos, Robert Gates, a autoridades daregião. Sua mensagem, dita em uma conferência de autoridades desegurança e defesa da Ásia, aparentemente tinha como objetivoreafirmar alianças e serviu como um comunicado de intenções àChina após o crescimento econômico e militar de Pequim nosúltimos anos. "Como alguém que serviu a sete presidentes dos EstadosUnidos, quero comunicar a vocês com confiança de que a políticade segurança e relação à Ásia em qualquer administração futuranos EUA será baseada no fato de que os Estados Unidospermanecem como uma nação com fortes e duradouros interessesnesta região", afirmou Gates. "Posso assegurar a vocês que os Estados Unidos -- devido aonosso interesse e por causa dos nossos valores -- não apenascontinuarão engajados, como ficarão ainda mais engajados nasdécadas seguintes", afirmou o ex-chefe da CIA. Falando no fórum anual Diálogo Shangri-Lá, em Cingapura,Gates tentou balancear os seus comentários em relação à China.Autoridades dos EUA disseram que ele queria deixar as visões deWashington claras sem criar uma confrontação aberta com Pequim. Gates ofereceu elogios, citando a "valiosa cooperação" daChina nas conversas com a Coréia do Norte sobre armasnucleares, e evitou críticas diretas ao país. No entanto, ele também fez alusão a assuntos quem têm sidopolêmicos, como pedidos insistentes dos EUA por maiortransparência nos orçamentos militares da China. O ministro daDefesa do Japão, Shigeru Ishiba, também pediu que a China fossemais clara sobre seus gastos e intenções. CHINA REBATE Mas o tenente-general Ma Xiao Tian, vice-chefe de EstadoMaior do Exército Popular de Libertação da China, respondeu namesma conferência, dizendo que o gasto de seu país com defesaestava "em nível baixo" comparado ao orçamento de outrasnações. Ele afirmou que cerca de dois terços do gasto chinês comdefesa vai para manutenção e treinamento. O tenente-generalcriticou implicitamente os esforços dos EUA com o escudoanti-mísseis, descrevendo tal sistema como "não puramentedefensivo". "A China é um país que ama a paz e seu povo é um povo queama a paz", disse. "Não somos ameaça militar a nenhum outropaís." A crescente prosperidade da China tem sido acompanhada porcrescimentos de dois dígitos nos gastos militares e um planopara a modernização de suas forças armadas e equipamentos.Pequim anunciou que aumentará seu gasto com defesa em 17,6 porcento neste ano, passando esse montante a ser de 418 bilhões deiuans (60,2 bilhões de dólares). O Pentágono e analistas do Ocidente dizem que o verdadeirogasto da China com o setor militar pode ser duas ou três vezesmaior do que a quantia oficialmente divulgada. Mesmo assim, omontante permanece muito abaixo do orçamento norte-americano demais de 500 bilhões de dólares, que não inclui gastos com aguerra. Gates disse que Washington quer trabalhar com todas asnações asiáticas para entender seus orçamentos militares edecisões. Dessa forma, erros de orçamento poderiam serevitados.

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