Joshua Roberts/Reuters
Joshua Roberts/Reuters

Morte de Ginsburg abre batalha política por vaga na Suprema Corte

Senadores republicanos dizem que é preciso escolher o quanto antes um nome para substituir juíza; Biden defende que decisão seja feita após as eleições

Beatriz Bulla, correspondente, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2020 | 22h43

WASHINGTON - Poucas horas depois do anúncio da morte de Ruth Bader Ginsburg, juíza da Suprema Corte americana, democratas e republicanos começaram a batalha política pela vaga no mais alto tribunal dos Estados Unidos. O candidato democrata à presidência, Joe Biden, defendeu que o Senado espere a eleição antes de escolher um novo juiz ou nova juíza para a Corte, a exemplo do que OS republicanos fizeram em 2016. Senadores conservadores, no entanto, defenderam que a escolha seja feita em breve, antes da eleição, sob mandato de Donald Trump.

"Não há dúvida, deixe-me ser claro, que os eleitores devem escolher o presidente e o presidente deve escolher o juiz (da Suprema Corte) para o Senado avaliar. Essa foi a posição que o Senado tomou em 2016 a 10 meses da eleição", disse Biden. Em 2016, senadores republicanos bloquearam por dez meses a confirmação do nome indicado por Barack Obama para a Corte, possibilitando que Trump escolhesse o primeiro juiz ao tomar posse como presidente. A cadeira foi preenchida por Neil Gorsuch, um dos cinco juízes conservadores do tribunal atualmente.

Senadores republicanos dizem que é preciso escolher o quanto antes um nome para substituir Ginsburg. "Eu acredito que o presidente precisa nomear um sucessor para a Corte na próxima semana e é crítico que o Senado confirme o sucessor antes da eleição", disse o senador Ted Cruz. O líder da maioria no Senado, o respublicano Mitch McConnell, afirmou que a eventual nomeação de Trump será levada para votação em plenário no Senado.

Trump, que fazia um evento de campanha no momento da confirmação da morte, foi avisado por jornalistas sobre a notícia. “Ela teve uma vida incrível”, disse Trump. “Ela era uma mulher incrível, concordando ou não. Ela era uma mulher incrível que levou uma vida incrível. Estou realmente triste em ouvir isso", afirmou o presidente. Neste sábado, o presidente disse que os republicanos têm a obrigação de escolher um novo nome à Suprema Corte.

Ícone dos direitos das mulheres nos Estados Unidos, Ruth Bader Ginsburg morreu na sexta-feira, aos 87 anos. Ela foi a segunda mulher a ocupar uma das nove cadeiras no mais alto tribunal dos EUA, nomeada pelo democrata Bill Clinton em 1993. 

A possível substituição de Ginsburg por um nome indicado por Trump terá um simbolismo forte para os progressistas americanos. Trump tem usado a perspectiva de consolidar o domínio conservador no Judiciário como mote de campanha eleitoral e argumenta que com mais um nome conservador a Suprema Corte irá reverter o precedente histórico da década de 70 que permite o aborto no país.

A juíza era um dos nomes que se posicionou de maneira recorrente pela manutenção do precedente conhecido como Roe vs. Wade, que reconheceu o direito da mulher à interrupção voluntária da gravidez sem restrições excessivas por parte do governo. Em um declaração ditada à sua neta, Clara Serpa, dias antes de morrer, Ruth Bader Ginsburg afirmou: "Meu desejo mais fervoroso é que eu não seja substituída antes que um novo presidente seja eleito". 

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