Chefe dos inspetores concorda com os EUA e adia ida ao Iraque

O chefe dos inspetores de armas da Organização das Nações Unidas (ONU), Hans Blix, reuniu-se nesta sexta-feira em Washington com o secretário norte-americano de Estado, Colin Powell, a conselheira de Segurança Nacional da Casa Branca, Condoleezza Rice, e o subsecretário de Defesa, Paul Wolfowitz, para conversar sobre a volta de sua equipe a Bagdá, capital do Iraque. Também participou do encontro o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohammed El-Baradei.Blix confirmou que sua equipe não retornará a Bagdá enquanto o Conselho de Segurança (CS) da ONU não chegue a uma decisão sobre a aprovação de nova resolução sobre o desarmamento do Iraque e disse ser favorável a que isso ocorra. "Seria inoperante para nós irmos para lá e, então, ser aprovada nova resolução", afirmou Blix, ao lado de Powell. Ele disse ter visto "convergência" nos últimos dias sobre a resolução. "Esperamos que não demore muito."Blix firmou na terça-feira um acordo com a delegação iraquiana, em Viena, para a retomada das inspeções de armas por volta de meados do mês, mas na quinta-feira, após pressão dos EUA e da Grã-Bretanha, concordou em adiar a partida de sua equipe até que o CS tome uma decisão sobre a votação ou não de uma nova resolução. Britânicos e norte-americanos querem aprovar um texto-ultimato, ampliando os poderes dos inspetores e ameaçando com o uso da força, por parte da ONU ou de um Estado membro, se Bagdá não cumprir suas obrigações.A reunião de Blix e Powell ocorreu em meio a fortes especulações nos meios diplomáticos sobre a posibilidade de o governo norte-americano suavizar sua posição em relação aos termos de uma nova resolução do CS. Diante da resistência da Rússia e da França a um ultimato duro, o país poderia concordar com uma proposta parecida com a francesa, que prevê um processo em duas etapas. A ênfase, no momento, seria na ampliação dos poderes dos inspetores. Numa segunda fase, haveria a ameaça do uso da força. Os EUA estariam analisando com Grã-Bretanha e França uma solução conciliatória.RigorDa ala moderada, Powell está mais disposto a negociações, enquanto os mais rigorosos do governo - como Wolfowitz e Condoleezza - insistem na aprovação de uma resolução ameaçando com o uso da força, caso Bagdá não cumpra as obrigações estipuladas pelo CS. Hoje, Powell indicou em entrevista ao canal de televisão francês TF1 que a Casa Branca pode deixar em segundo plano sua política de mudança de regime no Iraque. "Estamos diante de uma situação nova. Se os iraquianos cooperam com o desermamento, veremos em que ponto estamos. O princípio de mudança de regime esteve sempre como conseqüência da negativa de Saddam em entregar suas armas de destruição em massa", afirmou.Mas ele também declarou, antes, em Washington, estar convencido de que qualquer resolução da ONU deve deixar claro que a comunidade internacional está pronta para "usar todos os meios necessários". Por sua vez, o presidente dos EUA, George W. Bush, fará um pronunciamento televisionado na segunda-feira à noite para explicar ao povo norte-americano, ao Congresso e ao Conselho de Segurança da ONU as razões que o levam a preparar o país para uma guerra contra o Iraque.Antecipando o tema do discurso, Bush disse hoje a jornalistas que vai mostrar por que Saddam Hussein (o presidente do Iraque) é uma "verdadeira ameaça" à nação. "Temos de reconhecer ameaças quando as vemos e, temos de lidar com elas", afirmou Bush num evento da campanha eleitoral dos republicanos no Estado de Massachussetts. O assessor de imprensa da Casa Branca, Ari Fleischer, disse que será um importante discurso, mas não garantiu que o presidente vai apresentar novas informações que justifiquem um ataque preventivo a Saddam ou esboçar alguma nova política do país. Ele também adiantou que não será pedido às rede de tevê norte-americanas para transmitir o discurso.

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