Chefe dos inspetores da ONU visitará o Irã em fevereiro

O chefe dos inspetores nucleares das Nações Unidas irá ao Irã em 25 de fevereiro, informou hoje seu porta-voz. Ele visitará instalações que, segundo Washington acusa, fazem parte de um programa secreto de armas. O porta-voz Mark Gwozdecky disse que Mohamed El Baradei, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, estará acompanhado de especialistas que pretendem estabelecer "salvaguardas" em duas instalações onde o Irã está construindo reatores nucleares, a fim de garantir que o material não será desviado para o uso em programas de armas. "Quando eles declaram novas instalações, queremos visitá-las o mais rápido possível", explicou. Salvaguardas - que entram em vigor pouco antes de os reatores entrarem em funcionamento - normalmente garantem que câmeras e outros meios de monitoração estejam nos locais. A visita de El Baradei era esperada para algum momento de fevereiro, depois que Teerã cancelou uma viagem originalmente programada para este mês, mas o anúncio de hoje definiu o dia exato. Os Estados Unidos há muito suspeitam do programa nuclear iraniano, acusando Teerã de patrocinar o terrorismo e rotulando-o - junto com o Iraque e a Coréia do Norte - como parte de um "eixo do mal". O porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher, afirmou na semana passada que imagens de satélite indicam que algumas estruturas na usina de Natanz, na parte central do Irã, estão sendo cobertas com areia, indicando que Teerã constrói "um local subterrâneo secreto onde poderia produzir material físsil". "O Irã pretende claramente fortalecer e enterrar aquela instalação", denunciou Boucher. "O Irã provavelmente nunca teve intenção de que aquela instalação fosse um componente declarado de um programa (nuclear) pacífico". O porta-voz do governo iraniano, Abdollah Ramezanzadeh, rejeitou as acusações de Boucher logo após elas terem sido feitas, afirmando que Natanz "não está sob o solo" e que "todas nossas instalações nucleares são para fins pacíficos e abertas às inspeções da Aiea". Um funcionário da agência baseada em Viena, que pediu para não ser identificado, disse hoje que as fotos de satélite mostram, sim, concreto e areia cobrindo algumas estruturas em Natanz, mas sugeriu que isso não significa necessariamente que Teerã tenha algo a esconder. "Dado o que os israelenses fizeram com o reator iraquiano, eu consideraria também o fortalecimento de minhas instalações, mesmo para fins pacíficos", comentou. Ele se referia aos ataques aéreos israelenses que destruíram em 1981 o reator nuclear Osirak, do Iraque. O funcionário da Aiea também disse que as imagens de satélite dos reatores em Natanz e em outra instalação, Arak, indicam que eles podem produzir água pesada e ser usados para o enriquecimento de combustível nuclear, procedimentos que podem ser utilizados para programas de armas. Mas "o Irã tem o direito de ter tais instalações, desde que, no momento apropriado, eles as declarem para nós e as coloquem sob salvaguardas, e o Irã tem nos declarado que irá fazer isso", relatou.

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