REUTERS/Mohammad Ismail
REUTERS/Mohammad Ismail

Pentágono mantém militar transgênero ‘por enquanto’

Segundo o ‘Washington Post’, medida foi agrado a republicanos dispostos a liberar verba para muro com o México

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

27 Julho 2017 | 15h16

Militares transgêneros continuarão a servir nas Forças Armadas dos EUA até que o secretário de Defesa, James Mattis, seja comunicado oficialmente da decisão anunciada anteontem pelo presidente Donald Trump no Twitter de banir o grupo da instituição. “Enquanto isso, nós continuaremos a tratar todo nosso pessoal com respeito”, disse o general Joseph Dunford, do Estado-Maior Conjunto, em nota enviada a outros chefes militares.

Dunford afirmou que não haverá mudança na política atual enquanto Mattis não divulgar diretrizes para sua implementação. O comandante do Exército, general Mark Milley, disse em almoço no National Press Club que soube da decisão de Trump pela imprensa.

A súbita decisão surpreendeu o Pentágono, que trabalha há mais de um ano na preparação para receber recrutas que optaram pela mudança de sexo. Transgêneros que já estavam nas Forças Armadas ganharam em junho do ano passado o direito de servir abertamente. A partir de 1.º de julho de 2017, recrutas transgêneros passariam a ser admitidos, mas Mattis estendeu o prazo por seis meses para avaliar com mais profundidade o impacto da medida na prontidão militar do país.

De acordo com Politico e Washington Post, Trump tomou a decisão como parte de uma negociação com republicanos na Câmara dos Deputados em troca da garantia de recursos para o início da construção de um muro na fronteira com o México. Estudo realizado pela Rand Corporation a pedido do Departamento de Defesa no ano passado estimou que havia pelo menos 2.450 transgêneros no contingente de 1,3 milhão de soldados da ativa. 

Segundo o jornal New York Times, por trás da proibição de Trump está a necessidade de aprovar esta semana no Congresso um pacote orçamentário de US$ 790 bilhões em defesa, e alguns republicanos votariam contra se o projeto incluísse o tratamento hormonal aos militares transexuais.

Entre os que protestaram contra a decisão de Trump está Chelsea Manning, a ex-soldado transgênero que vazou para Julian Assange as primeiras informações sigilosas publicadas pelo site WikiLeaks em 2010 e saiu da prisão recentemente após receber o indulto do ex-presidente Barack Obama.

Chelsea participou hoje de um protesto em frente à Casa Branca e publicou um artigo no New York Times em que assegura que os custos do tratamento hormonal são "uma desculpa esfarrapada", já que o Pentágono "esbanja bilhões de dólares por dia em projetos que são cancelados ou não funcionam".

As Forças Armadas dos Estados Unidos se abriram "com efeito imediato" aos transexuais em junho de 2016 por decisão de Obama e seu recrutamento deveria começar em janeiro do ano que vem.

Estima-se que atualmente há cerca de 6,6 mil transexuais servindo nas forças armadas americanas, cujo futuro ficou no limbo após o anúncio de Trump. 

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