Chefe militar da Coreia do Norte é destituído

Para analistas, novo ditador norte-coreano tenta consolidar poder no país repetindo tática usada pelo pai e o avô

SEUL, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2012 | 03h06

Nos primeiros meses do comando de Kim Jong-un sobre a Coreia do Norte, o vice-marechal Ri Yong-ho foi um dos oficiais vistos com mais frequência na companhia dele. Ontem, porém, a estatal Agência Central de Notícias da Coreia do Norte surpreendeu ao anunciar o afastamento do vice-marechal Ri, chefe do Estado-maior do Exército, por motivo de saúde.

No lugar de Ri, a Comissão Central da Assuntos Militares de Pyongyang nomeou Hyon Yong-chol. Desde que Kim substituiu o pai, Kim Jong-il, em dezembro, analistas esquadrinharam quase todo farrapo de informação que chega do país atrás de pistas sobre as intenções do novo líder. Com o desdobramento de ontem, uma coisa está clara: Kim está adotando a ferramenta de controle favorita de sua família - usar e sacrificar os oficiais de alto escalão que o cercam como peões num tabuleiro de xadrez.

O funcionamento interno do poder político na Coreia do Norte vive envolto em mistério, com autoridades de alto escalão com frequência removidas, desaparecidas, reempossadas ou mortas em "acidentes de trânsito" suspeitos na Coreia do Norte, onde rodam poucos carros.

Assegurar essa imprevisibilidade na carreira de qualquer general era visto como um método crucial usado por Kim Jong-il - e seu pai, Kim Il-sung, antes dele - para domesticar generais e secretários do partido.

"Esses caras têm a vida de uma mosca", disse Lee Byonh-chul, analista do Instituto para a Paz e a Cooperação em Seul. "Isso indica que a consolidação do poder de Kim Jong-un está avançando mais rapidamente que o esperado."

As circunstâncias da queda do vice-marechal Ri podem parecer extremamente incomuns. Poucos analistas haviam suspeitado que ele tivesse problemas de saúde. Aos 69 anos, o vice-marechal parecia bastante vigoroso em comparação com outros oficiais idosos que rodeiam Kim. Além disso, outros secretários do partido e generais octogenários com doenças graves mantiveram seus cargos até morrer.

A dinastia Kim tem uma longa história de perseguição política gratuita. No fim de 2009, quando sua política de reprimir o mercado negro e conter a inflação desvalorizando agressivamente sua moeda deu errado, agravando a crise alimentar e provocando explosões de protestos altamente incomuns no Estado totalitário, o regime executou sua mais alta autoridade financeira.

Pak Nam-gi enfrentou acusações forjadas de atividades antirrevolucionárias, segundo o governo de Seul. A Coreia do Norte também citou "motivos de saúde" quando demitiu um chefe de polícia e um vice-premiê no ano passado. / NYT

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