Chefe militar de Mianmá aceita se reunir com enviado da ONU

Entidade exige que os militares acabem com a violenta repressão de protestos populares no país

Efe,

01 de outubro de 2007 | 08h03

O chefe da Junta Militar birmanesa, general Than Shwe, aceitou se reunir na próxima terça-feira, 2, com o enviado especial da ONU para Mianmá (antiga Birmânia), Ibrahim Gambari, informou nesta segunda o Ministério da Informação birmanês.   Veja também: Japão estuda sanções econômicas contra Mianmá Quatro jornalistas são presos e outros feridos em Mianmá Entenda a crise e o protesto dos monges  Dissidentes cibernéticos driblam censura  População apóia protesto dos monges   Gambari chegou a Mianmá no último sábado com a missão de conseguir que o regime militar acabe com a brutal repressão dos protestos populares e, desde então, não conseguiu falar com Than Shwe. No entanto, no domingo, conseguiu se reunir com a líder do movimento democrático birmanês, Aung San Suu Kyi.   Do aeroporto de Rangun, o diplomata nigeriano - que está à frente de uma delegação de três pessoas - viajou diretamente a Naypyidaw, a nova capital do país, a quase 400 quilômetros ao norte, onde se instalou o governo militar.   Em Naypyidaw, Gambari se reuniu com o primeiro-ministro interino, general Thein Shein, e com os titulares de Cultura, comandante geral Khin Aung Myint, e de Informação, general-de-brigada Kyaw Hsan, além de com altos funcionários do Ministério de Assuntos Exteriores, mas não com o titular.   No domingo, o enviado voltou a Rangun para falar com a vencedora do prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, que está em prisão domiciliar e a quem não via desde novembro de 2006, a última vez que Gambari visitou Mianmar, porque desde então não havia conseguido visto.   Após conversar com Suu Kyi durante uma hora, voltou a Naypyidaw, e desde então está esperando que Than Shwe, de 74 anos, o receba. Pelo menos 16 pessoas morreram desde o início da violenta repressão, em 26 de setembro, entre elas dois estrangeiros, mas o número poderia ser muito superior caso sejam confirmadas as informações da dissidência, denunciando que a Junta Militar escondeu dezenas de cadáveres.   O "homem forte" de Mianmá é considerado por alguns analistas o principal obstáculo para a reconciliação nacional e o começo do diálogo com a oposição, embora seu braço direito, o general Maung Aye, de 69 anos, também não seja muito partidário do diálogo com a Liga Nacional pela Democracia (LND), partido de Suu Kyi.   Mianmá é governada por generais há 45 anos e não tem eleições democráticas desde 1990, quando o partido oficial perdeu para a LND, que obteve 82% dos votos, mas o governo nunca aceitou o resultado.   As mobilizações pela democracia, que começaram em 19 de agosto como um protesto contra a alta dos preços dos combustíveis, são as mais graves desde a instalação, em 1988, do atual regime militar.   Embargo   Por conta da violenta repressão contra protestos em Mianmá, a Anistia Internacional (AI) exigiu nesta segunda que o Conselho de Segurança da ONU retome o embargo a país e que seus principais fornecedores de armas - China, Índia, Rússia, Ucrânia, Sérvia e nações do sudeste asiático - suspendam as negociações.   "Uma clara mensagem precisa ser enviada aos líderes militares de Mianmá de que a dura repressão contra manifestantes pacíficos... não será tolerada por qualquer membro da comunidade internacional", disse Irene Khan, do grupo de direitos humanos.   A junta atacou um movimento pro-democracia na última semana com gás lacrimogêneo e bombas para tirar os monges das ruas. Centenas de pessoas foram presas, incluindo diversos sacerdotes budistas, e mosteiros foram fechados.   "É inaceitável continuar financiando armas para um governo que comete sérias violações dos direitos humanos", disse Khan. As sanções da ONU podem durar até que a junta do país dê passos reais para cumprir com os direitos humanos, diz a declaração da entidade.   mianmá já está sob embargo da União Européia (UE) desde 1988. Os Estados Unidos impuseram sanções de comércio bélico ao país em 1993.

Tudo o que sabemos sobre:
MianmáGambariONUMonges

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.