Chefe paramilitar colombiano promete se entregar aos EUA

O líder paramilitar Carlos Castaño anunciou nesta quarta-feira que está à espera de acertar as condições de sua entrega à Justiça dos EUA e demonstrar que não é responsável por delitos de narcotráfico pelos quais sua extradição foi solicitada. "Não sei qual será o momento desta entrega, mas estou aqui mostrando a cara, dizendo aos colombianos, ao mundo: não me considero um bandido, não me considero um delinqüente, não vou me ocultar de ninguém", disse Castaño em uma entrevista telefônica para a cadeia RCN falando das montanhas do noroeste colombiano. "Os EUA terão que vir buscar-me na Colômbia, assim que houver condições, mas não conheço os mecanismos operacionais".O paramilitar enfrenta 26 processos na Colômbia por delitos como massacres e homicídios, mas nenhum por narcotráfico. Esclareceu que "não há um acordo legal" com o governo dos EUA para sua entrega nem para reduzir a pena em troca da delação de narcotraficantes, mas que espera consegui-lo. O advogado dele, Joaquín Pérez, seguiu hoje para Washington para adiantar os trâmites e condições da entrega à Justiça.Castaño disse que antes de partir para os EUA deverá deixar acertado o problema da sucessão e da continuidade de seu exército privado, responsável pelas maiores violações aos direitos humanos. "Sou o chefe político de uma organização grande, sou seu líder natural e não posso abandonar 10.000 homens que estão sob o meu comando. Mas (estou) ratificando minha palavra de submissão (à Justiça) e não brinco com minha palavra", afirmou.Para o líder paramilitar, "haverá uma negociação na Colômbia, da qual participarão todos os atores (da violência), e na qual terá que haver castigo para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), para o Exército de Libertação Nacional (ELN) - os dois principais grupos guerilheiros do país - e para as Autodefesas, ou a absolvição para todos. Com base nessa situação será meu destino na Colômbia", disse.

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