Chefe paramilitar da Colômbia se recusa a entregar-se aos EUA

Enquanto o líder máximo das paramilitares Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), Carlos Castaño, afirmou esta semana estar disposto a entregar-se à Justiça dos EUA, outro membro da cúpula das AUC, Salvatore Mancuso, anunciou hoje que não se submeterá, por enquanto, à Justiça norte-americana, que pede a extradição também por acusações de narcotráfico.Ele afirmou que permanecerá na Colômbia executando o projeto de reunificar os paramilitares para conduzi-los a uma negociação de paz. "O momento na Colômbia é suficientemente agourento e perigoso e me obriga a cuidar do que me compete em solo colombiano", disse Mancuso em uma mensagem por ele dirigida nesta sexta-feira à embaixadora dos EUA, Anne Patterson, e outras personalidades, na qual rejeitou as acusações de narcotráfico que lhe foram feitas pela Justiça norte-americana.Já Castaño declarou esta semana estar disposto a entregar-se aos EUA assim que o advogado chegar a um acordo sobre as condições da entrega. Disse que também deve ser solicitada a extradição dos chefes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), por ele qualificados como os maiores narcotraficantes do país.Mancuso disse que se trata de "campanhas de terrorismo informativo", acrescentando que nas AUC "não existe nenhum perigo de repetição das escabrosas manifestações de terrorismo dos Extraditáveis (narcotraficantes que aterrorizaram a região de Medellín e a capital, Bogotá, nos anos 80)" ou de uma desarticulação de "nossas forças diante do fato lamentável e errôneo de os EUA solicitarem a extradição do comandante Carlos Castaño e a minha".Mancuso assegurou que o objetivo é "reunificar, no menor tempo possível e dentro do parâmetro da coesão e respeito mútuo, todas as forças anti-subversão e de autodefesa legítimas", dispersas pela decisão de Castaño de expulsar os que estão envolvidos no narcotráfico.

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